Brasil adia lançamento de satélite
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de outubro de 1997
Júlio Ottoboni Agência Estado 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Missão abortadaO lançamento do VLS foi suspenso durante a contagem regressiva. Foram detectados problemas em um dos radaresO lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) foi suspenso na madrugada de ontem, quando já estava em processo de contagem regressiva. Por volta da 1h05 os técnicos da Base de Lançamento de Alcântara (MA) detectaram uma falha eletrônica em um dos radares doppler do centro de controle e abortaram a missão. O diretor do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), brigadeiro Reginaldo dos Santos, comentou que o problema será resolvido em cinco dias. Faremos o lançamento um dia depois, daqui a seis dias, afirmou.
O fracasso na primeira tentativa de utilizar um conjunto espacial brasileiro na colocação de um satélite em órbita foi tido como normal pelos militares e autoridades científicas ligados ao evento. Porém, a frustração foi geral. Em São José dos Campos, local de produção do satélite e do VLS, cerca de 120 dos 550 convidades se aventuraram a levantar logo pela manhã para acompanhar o evento pelo telão instalado no teatro da Universidade do Vale do Paraíba (Univap).
O anúncio do cancelamento da operação foi feito assim que os técnicos da Radiobrás estabeleceram o link das imagens geradas em Brasília, Alcântara (MA), São Luiz (MA) e São José dos Campos. O sistema de teleconferência, mesmo com uma série de defeitos na transmissão, propiciou aos militares e ao presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luiz Gylvan Meira Filho, dar algumas explicações sobre o ocorrido. Peço um pouco de paciência com esse adiamento, esse tipo de situação é normal em lançamentos, esclareceu Meira Filho.
O coordenador do programa de lançamento, coronel Tiago Ribeiro, abortou a missão e destacou uma equipe para sanar a falha no radar de solo. O equipamento defeituoso foi fornecido pela empresa francesa Thomson e seu problema comprometeria a coleta de dados sobre a posição e trajetória do foguete. Além do alto risco de se perder contato com o VLS, seria impossível determinar a órbita do Satélite de Coleta de Dados-2A (SCD-2A).
O Ministério da Aeronáutica, responsável pela base de Alcântara e pelo VLS, tem até o dia 10 de novembro deste ano para promover o disparo. Após essa data, o foguete será retirado da torre de lançamento por questões de ordem técnica e alterações no posição do Sol em relação a Terra. O coronel Ribeiro rechaçou qualquer possibilidade do radar ter sido vítima de algum tipo de sabotagem ou coisa semelhante. A operação de lançamento custou até o momento cerca de US$ 500 mil.
Segundo Gylvan Meira essa suspensão do lançamento não deverá comprometer a imagem do programa espacial junto às comunidades científicas internacionais. Um lançamento bem-sucedido leva o Brasil a ser o novo integrante de um restrito grupo de Países com tecnologia em lançadores de satélite.


