Cerca de 195 famílias de ‘‘brasiguaios’’ (brasileiros que vivem em lavouras no Paraguai), ou 350 pessoas, segundo estimativa do MST, chegaram entre o último sábado e ontem ao acampamento do MST à beira da rodovia BR 163, em Naviraí (349 km de Campo Grande-MS). Luís Carlos Prudente, de 29 anos, da coordenação estadual do MST, disse que mais 200 famílias de brasiguaios são esperadas para os próximos dias na região. ‘‘Com mais condições, a gente traria umas 2.000 famílias tranquilamente , disse Prudente.
Os brasiguaios vieram da localidade paraguaia de Puerto Adelia, a cerca de 150 km do Mato Grosso do Sul. O acampamento foi formado na beira da BR 163 após a desocupação da Fazenda Jequitibás, de 18 mil hectares.
O padre Alfeu Prandel, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Campo Grande, disse que os brasileiros estão voltando ao Brasil porque sentem-se ‘‘exilados’’ no Paraguai, e não podem, por força de lei, adquirir terras para cultivo. ‘‘Alguns pagaram duas a três vezes a mesma terra, mas não receberam os títulos por serem estrangeiros’’, disse Prandel.
O padre esteve há dois anos na região do Paraguai onde se concentra a maior parte dos brasiguaios, na localidade de Paloma. ‘‘Muitos nem sabem que entraram em outro país. A empresa que contratava os brasiguaios no Paraná não avisava para onde levava os trabalhadores’’, disse o padre, para quem o movimento de retorno vai continuar.

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