Campo Grande, 22 (AE) - FamÍlias de agricultores brasiguaios chegaram hoje ao município de Tacuru, no extremo sul de Mato Grosso do Sul, e começaram a ocupar fazendas. Duzentas e cinquenta invadiram a fazenda Urtigão, com 3.300 hectares. Outras 450 pessoas ocuparam a fazenda Santa Renata, com 1.200 hectares. As invasões foram iniciadas de madrugada e terminaram no final da manhã.
Grupos de sem terra ligados à Central Única de Trabalhadores (CUT) também invadiram duas fazendas hoje. Uma delas é a Ivinhema, no município de Angélica, com 14 mil hectares. Nessa propriedade rural entraram 250 famílias de sem-terra ligadas. A outra invasão foi na fazenda Maria Santíssima, no município de Rochedo, a 60 quilômetros de Campo Grande. Cento e cinquenta famílias ocuparam 1.220 hectares .
Segundo um dos coordenadores da CUT, Paulo Cesar Farias, as invasões estão acontecendo em protesto pelas mudanças propostas no Programa Nacional de Reforma Agrária. Ele disse que o Programa Agricultura Famíliar, Reforma Agrária e Desenvolvimento Local Novo Mundo Rural contraria todas as expectativas das famílias de sem-terra em todo o Brasil. Comentou que houve redução de todos os programas de crédito e na estruturação dos assentamentos agrícolas com pouco dinheiro.
Citou como exemplo o crédito para compra de materiais de construção que era de R$ 4 2.500 e passou para R$ 1.800. Faria acredita que os protestos dos sem terra serão mais radicais a partir desta semana, adiantando que estão programadas várias manifestações, entre elas bloqueios no tráfego das principais rodovias e pedágios relâmpagos.

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