Brahma deve economizar até R$ 450 milhões com fusão
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 30 (AE) - Com a criação da Ambev, a Brahma poderá economizar até R$ 450 milhões em custos e despesas, dos quais R$ 220 milhões em produção, R$ 115 milhões em distribuição
R$ 10 milhões em administração, R$ 90 milhões em despesas com juros e R$ 15 milhões em outros gastos. Segundo informações da analista Andréa Teixeira, da Flemings Research, essa economia de escala é muito importante para a empresa, cujo lucro recuou 2% no ano passado, para R$ 322,3 milhões.
Só no quarto trimestre, a queda no lucro foi de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado operacional
no entanto, ficou acima do esperado pelo mercado, com vendas líquidas em 1999 de RS 3,248 bilhões puxadas pelas comemorações do milênio. A analista acredita que as ações da Ambev são a melhor forma para o investidor obter os ganhos derivados da fusão. Ela recomenda compra de Brahma só para o investidor que não pode compra r papéis da Ambev em razão de restrições de liquidez. A Ambev é formada por 100% da Antarctica e 21% de ações da Brahma.
A analista afirma que na Venezuela a Brahma continua a ter dificuldades em razão do fraco cenário macroeconômico. No último trimestre do ano, o volume de cerveja vendido caiu 31% em comparação aos três últimos meses de 1998, mas na Argentina, houve aumento de 15,9%.
Enquanto a Antarctica opera com capacidade ociosa de 50% e a Brahma, de 40% para cerveja e 50% para refrigerantes, as vendas impostas pelo CADE podem até ser uma solução positiva para a Ambev, pois reduziria essa capacidade ociosa. A empresa, segundo análisse da Flemings, continua a se recusar a diminuir os preços dos refrigerantes, o que tem reduzido o volume vendido (25,5% no quarto trimestre). A margem bruta da empresa recuou de 46,9% (quarto trimestre de 98) para 43,2% no mesmo período do ano passado, sobretudo porque a empresa não conseguiu repassar os aumentos de custos motivados pela desvalorização do real. A Brahma encerrou o ano com dívida total de R$ 1,982 bilhão, mas, como a maior parte dos investimentos para aumento da capacidade de produção já está maturando, a Brahma deverá gerar maior fluxo livre de caixa. A analista acredita que, assim, a empresa poderá adquirir novas companhias ou pagar dividendos.


