Rio, 20 (AE) - O economista Sérgio Bragança, que teria enviado um bilhete à Araci Bentes dos Santos Pugliese, mulher do ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes, informando sobre um depósito de US$ 1,675 milhão de Lopes numa conta bancária no exterior, não é sócio da Macrométrica Pesquisas Econômicas Ltda, consultoria montada em 1984 por Lopes em sociedade com os também economistas Dionísio Dias Carneiro e Eduardo Modiano. De acordo com os registros da Junta Comercial do Rio de Janeiro (Jucerj), atualmente a sociedade é dividida pela mulher de Lopes, Araci Benites dos Santos Pugliese, caracterizada como "do comércio" na documentação, e pelos economistas Estevão Kopschitz Xavier Bastos e Luis Fernando de Souza. A informação sobre a possível conta de Lopes no exterior foi divulgada pelo procurador Arthur Gueiros, segundo reportagem de hoje do jornal "Folha de S.Paulo".
Dos três sócios originais, o último a sair foi Lopes, em 6 de janeiro de 1995, ano em que assumiu a Diretoria de Política Monetária do Banco Central. Mas, mesmo sem constar da lista de sócios, Sérgio Bragança é quem de fato dirige, ao lado de Estevão Kopschitz, o escritório da empresa. Com uma placa na porta que não passa de um papel impresso em computador colado com fita adesiva, a Macrométrica ocupa um grupo de salas, num prédio antigo no Centro do Rio. Mas na propaganda institucional lista clientes importantes como o próprio Banco Central, IBGE e a Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) .
A composição societária da Macrométric mudou várias vezes: em 1986, a mulher de Lopes, Araci Pugliese, assumiu as cotas de Eduardo Modiano, que deixara a empresa depois de um desentendimento com os sócios. Em 1988, o ex-presidente do BC e a mulher dividiram meio a meio a sociedade. Araci saiu logo depois, passando sua participação ao economista Luis Fernando de Souza. Em janeiro de 1995, quando Lopes saiu, ela novamente ocupou um posto na empresa, saindo em novembro do mesmo ano. Voltou em agosto de 1998, e a sociedade passou a ter a formação atual.
Hoje, a direção da empresa distribuiu nota à imprensa, subscrita apenas por "Macrométrica", sem identificação de nenhum sócio, dizendo acreditar que "as autoridades competentes saberão apurar todos os fatos divulgados". De acordo com o material apreendido pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público no apartamento de Francisco Lopes, a Macrométrica na verdade divide-se hoje em cinco empresas: Macrométrica Pesquisas Econômicas Ltda; Macromética Projetos Econômicos S/C Ltda; Macrométrica Consultoria de Economia S/C Ltda; Macrométrica Assessoria Financeira S/C Ltda e Macrométrica Sistemas Ltda.
Pelo material apreendido - documentos de alteração contratual, sem data, em quatro vias originais - todas deveriam passar em breve por mais uma mudança. Também foi encontrado um documento, na residência de Lopes, que traz o nome de Araci como credora e Luiz Fernando de Souza Maia, um dos sócios da Macrométrica Pesquisas, como mutuário.

mockup