Bragança se nega a explicar origem de dinheiro em contas no exterior
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Ribamar Oliveira e Vânia Cristino 
Brasília, 29 (AE) - O engenheiro Sérgio Bragança, sócio da Macrométrica, não quis explicar a origem do US$ 1,675 milhão que disse ser do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes e que estaria depositado em contas suas no exterior.
Não quis revelar os números dessas contas, nem os países em que estariam, e nem se esse dinheiro consta de sua declaração de Imposto de Renda. "Me reservo o direito de silenciar sobre esta questão", disse Bragança.
Não quis reconhecer nem sequer se era sua a letra do bilhete, encontrado na residência de Lopes no Rio de Janeiro pela busca e apreensão realizada pela Polícia Federal por ordem da juiza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal.
Nesse bilhete, Sérgio Bragança diz que Francisco Lopes tem "sob sua custódia" US$ 1,675 milhão em suas contas no exterior. O senador Roberto Freire (PPS-PE) chegou a pedir que o bilhete fosse mostrado a Bragança para saber se ele reconhecia a letra.
"Prefiro silenciar", respondeu.
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), insistiu e perguntou porque Francisco Lopes preferiu dar o dinheiro para que Sérgio Bragança depositasse em suas contas no exterior.
"Não seria mais fácil ele próprio depositar esse dinheiro numa conta dele no exterior?", quis saber. "Me reservo o direito de ficar em silêncio", foi a resposta de Bragança.
O engenheiro Sérgio Bragança disse que entrou como sócio da Macrométrica em 1991 e que sabe que Francisco Lopes desligou-se da empresa em 1995 logo depois de ter entrado para o Banco Central, como diretor de Política Econômica. Mas não soube informar como ou para quem Lopes passou suas cotas na empresa.
Bragança disse que foi apresentado a Rubens Novaes por seu irmão Luiz Bragança, mas que não manteve e nem mantêm relações pessoais com ele. Novaes é apontado como suposto intermediário de informações privilegiada do Banco Central para o mercado. Bragança garantiu que não conhece o dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola.
Bragança disse que a Macrométrica faz apenas análise de conjunta e monta cenários sobre a economia brasileira, mas que nunca operou nem deu consultorias sobre o mercado futuro de dólares da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
Considerou "uma mentira" a informação divulgada por alguns órgãos da imprensa de que, junto com o seu irmão Luiz Bragança e com Rubem Novaes, passaria para alguns bancos, em troca de remuneração, informações privilegiadas do comando do Banco Central.
Sérgio Bragança admitiu, no entanto, que "eventualmente" Francisco Lopes, quando ainda estava no Banco Central, passava na empresa Macrométrica. "Era rara a presença de Francisco Lopes na Macrométrica, mas eventualmente ele aparecia lá."


