Brasília, 29 - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do sistema financeiro no Senado encerrou sua sessão de ontem (29) por volta das 23h30 sem conseguir convencer o economista Sérgio Bragança, sócio da consultoria Macrométrica, a revelar detalhes sobre suas contas no exterior. O presidente em exercício da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-SC) ainda tentou um recurso final, transformando a sessão em secreta, mas os advogados do economistas continuaram aconselhando-o a silenciar sobre o bilhete escrito por ele e encontrado na casa do ex-presidente do Banco Central. No bilhete, Bragança reconhecia possuir cerca de US$ 1,6 milhão de Lopes em contas no exterior. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), após a sessão, comentou com os advogados de Bragança que para o País era importante em algum momento esta história ser esclarecida. "Eles disseram que vai chegar o momento em que será revelada essa história", comentou Suplicy. Uma das justificativas que teria sido citada pelos advogados para o silêncio seria o fato de que ainda não foi concluído o inquérito policial sobre o assunto. Apesar das evasivas que caracterizaram os depoimentos de Bragança e do consultor da diretoria do Banco Central Alexandre Pundek, que somaram pouco mais de cinco horas, Suplicy afirma que a CPI está conseguindo aos poucos peças para montar o quebra-cabeças. "Na sessão secreta, pelo menos Bragança conseguiu nos dar uma compreensão melhor do funcionamento da Bolsa de Mercadoria e Futuros (BMF)", disse Suplicy. O senador Arruda disse que até o relatório da Comissão de Sindicância aberta pelo Banco Central ajuda a levantar indícios que mostram irregularidades nas relações do Banco com o mercado. "Há indícios fortes de uma cadeia de pessoas conhecidas na busca de uma solução para o banco Marka", avaliou Arruda.

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