Bradley e McCain encerram campanhas. Gore ganha apoio do rival, Bush não Do correspondente PAULO SOTERO
Bradley e McCain encerram campanhas. Gore ganha apoio do rival, Bush não Do correspondente PAULO SOTERO9/Mar, 17:22 Los Angeles, 09 (AE) - Rejeitado nas urnas em todos os 18 estados nos quais o Partido Democrata realizou eleições primárias, o ex- senador Bill Bradley encerrou hoje (09) sua campanha à Casa Branca. Ele disse que é "hora de os democratas se unirem" e declarou-se pronto para trabalhar pela candidatura do vice-presidente Albert Gore e pela retorno de uma maioria democrata à Câmara dos Representantes. "Este país necessita da liderança dos democratas", afirmou Bradley, num discurso em New Jersey, que representou durante 18 anos no Senado. Em contraste, o senador John McCain, que venceu sete das dezessete primárias republicanas, entusiasmou milhões de eleitores com seu estilo franco de fazer política e chegou a ameaçar o favoritismo do governador do Texas, George W. Bush, anunciou hoje apenas a "suspensão" de sua campanha. Ele parabenizou Bush pela vitória, desejou "boa sorte ao governador e sua família" e deixou claro que não tem intenção de lançar-se como candidato independente de uma terceira força, como o Partido da Reforma. "Eu amo meu partido e ele é a minha casa", disse McCain, em Sedona, Arizona. Mas o senador evitou endossar a candidatura de Bush. A decisão de McCain de apenas "suspender", em lugar de encerrar o que ele chamou de "cruzada de renovação nacional", permitirá ao senador receber alguns fundos federais para cobrir parte do dinheiro que gastou na campanha. Mas as diferenças entre os discursos de despedida de Bradley e de McCain ilustraram os problemas que o governador do Texas enfrentará nos próximos dias e semanas para reparar os danos que sua campanha sofreu nas primárias e competir com Gore, que saiu fortalecido do processo, apesar das farpas que trocou com Bradley em vários debates. Com os dois candidatos empenhados agora em projetar uma imagem moderada para ganhar votos no centro, que tradicionalmente definem as eleições presidenciais americanas, a disputa pelos eleitores independentes que apoiaram McCain nas primárias tornou-se um fator crucial da campanha. As pesquisas dizem que 40% das pessoas que votaram para o senador migrarão para Gore nas eleições de 7 de novembro, enquanto que apenas 4% apoiarão Bush. É essencial, assim, para o governador do Texas, fazer uma reconciliação pública com McCain e tentar obter seu endosso. Mas isso não será fácil, por causa do enorme ressentimento pessoal deixado, nos dois campos, pelos ataques pessoais e golpes baixos a que ambos recorreram nos momentos mais quentes da briga. Assessores das duas campanhas iniciaram hoje os contatos para negociar uma aproximação e garantir o apoio de McCain a Bush. As negociações não devem incluir a oferta da vice-presidência a McCain, pois o senador já descartou essa possibilidade. Com oito meses de campanha pela frente e faltando ainda quase meio ano para as convenções nacionais dos grandes partidos, que referendarão suas candidaturas, Gore e Bush serão provavelmente forçados a escolher seus companheiros de chapa, nas próximas semanas, até para gerar interesse do público para as eleições.





