Bradies caem com rumor de moratória do Equador
São Paulo, 19 (AE-DOW JONES) - Os títulos da dívida dos países latino-americanos reestruturada pelo Plano Brady caíram hoje (19) devido a informes não confirmados de que o Equador estaria para declarar moratória do pagamento de Bradies que vencem este mês.
Os títulos equatorianos PDI (past interest bonds) caíram 17%.
Segundo traders ouvidos pela Dow Jones, circulou no mercado a informação de que o Equador estaria para declarar-se incapaz de pagar US$ 98 milhões em Bradies que vencem no dia 28 de agosto.
Um alto funcionário do governo equatoriano confirmou que o país está tentando conseguir uma reestruturação ampla de sua dívida, mas está preparado para honrar seus compromissos.
"Se um acordo de reestruturação não for alcançado, o pagamento será feito pontualmente no dia 28", afirmou Jaime Carrera, subsecretário de Orçamento do Ministério das Finanças do Equador, em entrevista por telefone à Dow Jones.
A ministra das Finanças, Ana Lucia Armijos, estava em Washington hoje, negociando uma carta de intenções com o FMI que permitiria abrir caminho para um crédito "stand-by" de US$ 400 milhões. Segundo Carrera, ela está "negociando uma estratégia de reestruturação da dívida em geral, e não apenas Bradies".
Ele declarou que em nenhum momento o Equador chegou a considerar a hipótese de uma moratória unilateral. Uma porta-voz do Ministério não esclareceu se o Equador chegou ou não a apresentar uma proposta formal ao FMI.
"Nós não podemos confirmar se o plano foi apresentado ontem ou hoje, mas ele era um dos objetivos básicos da visita", afirmou, acrescentando que "uma decisão positiva poderá ser anunciada nesta sexta-feira".
Em Washington, o porta-voz do FMI, Francisco Baker, confirmou que a ministra equatoriana reuniu-se com funcionários do Fundo, mas não deu detalhes. "Estamos conversando e Armijo esteve aqui", disse Baker.
O Equador tem uma dívida externa de US$ 13 bilhões, 45% dela em Bradies. O Banco Central do país prevê que o PIB sofrerá uma contração de 7% este ano. O ING Barings estima que a dívida externa pública do Equador será equivalente a 117% do PIB ao fim deste ano, de 76,5% ao fim de 1998.
Participantes do mercado disseram que a queda dos Bradies deverá ser de curto prazo, porque o Equador não tem dimensão suficiente para afetar os mercados emergentes como um todo.
"Da maneira como os títulos equatorianos caíram, não importa se haverá ou não moratória. O mercado vai se recuperar. O Equador é tão isolado que é difícil estabelecer uma conexão entre suas dificuldades e as de outros países", comentou o estrategista Paul Dickson, da Lehman Brothers.
Apesar disso, o sentimento negativo afetou os Bradies de outros países latino-americanos, como Argentina, Venezuel a e Brasil. O spread de juro do índice de bônus de países emergentes EMBI, do JP Morgan, sobre os Treasuries norte-americanos ampliou-se em 20 pontos-base, para 1.192 pontos-base.





