Bradesco prepara primeira captação externa de banco privado
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 23 (AE) - O presidente executivo do Bradesco, Márcio Artur Cypriano, afirmou hoje que a instituição deverá apresentar, entre 15 e 20 dias, detalhes sobre uma operação de captação de US$ 100 milhões em euro. Segundo Cipriano, esta seria a primeira operação feita por uma instituição financeira privada brasileira na nova moeda européia. A informação foi dada em almoço de homenagem a Cypriano e ao presidente do Conselho Superior de Administração do banco, Lázaro Brandão, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Ele afirmou que os detalhes da operação estão sendo tratados pelo banco com outro banco europeu, que também participará da operação. Cipriano adiantou que a captação deve ter prazos melhores para que a dívida seja paga ou renovada. "Temos oferta para um prazo de dois anos, com juros de 11,75%"
afirmou.
Ele lembrou que esta mesma taxa foi cobrada na operação de captação externa feita anteriomente, de US$ 200 milhões, cujo prazo foi de apenas um ano. "O mercado em euro vai se abrir rapidamente agora", previu o presidente do Bradesco.
Ele informou que outras operações vão depender das necessidades do banco. Cypriano confirmou que está em estudos o lançamento, no mercado interno, de debêntures (títulos com rentabilidade fixa) para a Bradesplan, empresa do grupo que se tornaria a holding responsável pelas participações do Bradesco em investimentos empresariais. O lançamento seria de R$ 100 milhões.
O presidente do Bradesco afirmou que o banco estuda a possibilidade de concorrer no leilão de privatização do Banco do Estado da Bahia (Baneb), além do Banespa. "Depois do Baneb, há o Banestado, do Paraná", lembrou Cypriano.
Ele afirmou que o interesse do banco no Banespa vai depender das condições em que o banco vai ser passado para a iniciativa privada.
CPI - Segundo Cypriano, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os bancos não afetou o sistema financeiro. Mas ele defendeu um andamento rápido dos trabalhos da CPI, para que ela não atrapalhe o andamento da economia brasileira "de um modo geral". Para o presidente do Bradesco, "se houver culpados, eles têm de ser punidos".


