São Paulo, 17 (AE) - O Bradesco emitiu hoje US$ 100 milhões em eurobônus com prazo de um 18 meses. Com essa captação
o total de títulos emitidos pelo banco neste ano chega a US$ 943 milhões. Os eurobônus têm prazo de 18 meses e retorno total para o investidor de 9,4%.
"Sentimos uma melhora no mercado internacional de maio para cá", diz o vice-presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Antônio Bornia. A última captação da instituição em dólares ocorreu em maio, com uma emissão de eurobônus de um ano com taxa de 9,75% ao ano.
Logo após a desvalorização cambial, a primeira captação do Bradesco pagou 11,75%, o correspondente a cerca de 700 pontos-base (7 pontos percentuais) acima do rendimento do título do Tesouro americano de mesmo prazo. Hoje, esse spread está em torno de 400 pontos (4 pontos percentuais). Há dois anos, antes do início da crise asiática, a taxa mínima de juros conseguida pelo Bradesco ficou apenas 150 pontos base (1,5 ponto percentual) acima do rendimento dos títulos públicos americanos. "Hoje ainda não temos a condição ideal, mas o mercado vem melhorando", diz o executivo.
Segundo Bornia, na emissão de ontem as vendas foram feitas principalmente para investidores institucionais. Setenta por cento dos títulos foram vendidos para investidores na Europa (França, Itália, Portugal e Suíça) e 30% para investidores em diversos países da América Latina. Os recursos devem ser repassados pelo Bradesco para empréstimos via resolução 63.
Segundo o vice-presidente do banco, embora o mercado tenha melhorado para empresas brasileiras, ainda é cedo para tentar aumentar os prazos dos títulos emitidos. A maior parte das emissões privadas brasileiras no exterior vem sendo feita com prazo de um a dois anos (eurobônus ou commercial papers).
"O problema não é apenas a demanda dos investidores internacionais pelos títulos, mas também o risco de dar crédito atrelado a estas captações por prazos mais longos", explica o executivo. Bornia lembra que a República já emitiu com prazo superior a 5 anos, mas com custo um pouco mais alto.
Segundo Bornia, captar por prazos mais longos agora pode não ser muito compensador, pelo risco maior na concessão de empréstimos de prazo mais longo indexados à variação cambial e pela pequena demanda dos clientes por este tipo de empréstimo.

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