Bradesco arremata o Baneb pagando ágio de 3,18%
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 22 (AE) - O Bradesco comprou hoje o Banco do Estado da Bahia (Baneb), em leilão de privatização no qual foi o único interessado, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O banco foi privatizado por R$ 260 milhões - valor 3,18% maior do que o preço mínimo de R$ 251,984 milhões, em leilão que durou apenas três minutos. O novo presidente do Baneb será o vice-presidente-executivo do Bradesco, Décio Tenerello.
Pelas regras da venda, com o ágio oferecido, o governo baiano vai criar um fundo para assumir indenizações por processos contra o Baneb, que ainda possam ser instaurados, contra atos praticados pela instituição quando era ainda estatal. O Bradesco, assim, eximiu-se de quaisquer novos pagamentos deste tipo, ao pagar o valor maior do que o preço mínimo, apesar de ter disputado o leilão sozinho, após o Itaú ter desistido de participar ontem.
O presidente-executivo do Bradesco, Márcio Cypriano, afirmou que, com a compra, o banco assumiu o "total domínio" do mercado bancário baiano e confirmou sua liderança entre as instituições financeiras privadas nacionais. Segundo Cypriano e o presidente do conselho de administração do banco, Lázaro Brandão, o Bradesco passou a superar até o Banco do Brasil (BB) em número de agências na Bahia - apesar de ainda ter uma rede de atendimento menor do que o banco federal em todo o País.
Preservação - Com R$ 75 bilhões em ativos, 64 mil funcionários e 3,4 mil pontos de atendimento, entre agências e postos, O Bradesco vai assumir, no dia 30, uma rede de 170 agências e 400 mil clientes, com 2,8 mil funcionários. Brandão alertou que este novo contingente não vai entrar nos cálculos do Bradesco para atingir a meta estabelecida para o ano 2000, de conseguir 10 milhões de contas correntes (atualmente o banco tem 6,5 milhões).
Os dois principais dirigentes do banco informaram que não planejam fazer cortes de gastos ou de funcionários no Baneb. "Se houver, futuramente, a reformulação do Baneb, será feita com todo o cuidado", informou Brandão. "Mas na primeira fase, a idéia do Bradesco é usar toda a força do Baneb", afirmou o presidente do Conselho de Administração do banco. Ele acrescentou que o banco baiano deve continuar a manter seu nome, assim como a fachada externa de suas agências será preservada.
Os dirigentes do Bradesco lembraram como atrativo para atuar na Bahia o crescimento econômico do Estado. "A Bahia tem um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 38 bilhões, é o sexto do País", afirmou Brandão. "E temos visto a ida de grandes empresas, como a Ford, para o Estado", lembrou Cypriano.
Banespa - A direção do Bradesco informou que a compra do banco baiano não tira o interesse do grupo na aquisição do Banespa. "Não há nenhum arrefecimento em relação ao Banespa", afirmou Lázaro Brandão. Para o presidente do Conselho de Administração, a conquista do Baneb também fortalece o Bradesco para esta nova privatização, ao ampliar sua posição no mercado de bancos de varejo.
O Bradesco planeja a abertura de uma agência em Buenos Aires, na Argentina, e já cadastrou 16 mil clientes pela Internet, mas a estratégia principal do banco é o mercado interno e a ampliação da rede de agências, informaram os dirigentes da instituição. "A exposição para o Exterior não é o nosso forte", afirmou Cypriano. Brandão acrescentou que o fortalecimento do mercado virtual ainda é um "processo lento".
Embasa - O secretário de Fazenda da Bahia, Albérico Mascarenhas, informou que a próxima empresa estadual a ser vendida deve ser a Empresa de Saneamento da Bahia (Embasa). Mascarenhas previu que a privatização seja realizada em junho ou julho do ano 2000, com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


