BR terá 460 mil casos de câncer em 2005
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sábado, 27 de novembro de 2004
Karine Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio- No ano que vem, devem ser registrados no País 467.440 novos casos de câncer. O número, apresentado ontem pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio, aponta para o crescimento da doença no Brasil, uma tendência que, segundo o diretor-geral da instituição, José Gomes Temporão, é mundial. Estima-se que o tumor maligno de maior incidência na população brasileira será o de pele não melanoma, com 113.020 mil novos casos, seguido pelo de mama feminina (49.470), próstata (46.330), cólon e reto (26.050), pulmão (25.790), estômago (23.145) e colo do útero (20.690).
Dos novos casos esperados, 229.610 atingirão o sexo masculino e 237.830, o feminino. Para os homens, os tipos de câncer mais incidentes serão os de pele não melanoma (56 mil), próstata (46 mil), pulmão (17 mil), estômago (15 mil) e cólon e reto (12 mil). Entre as mulheres, o tumor de mama deve ser o segundo mais frequente, com 49 mil casos, seguido do câncer de colo de útero (21 mil), cólon e reto (14 mil) e pulmão (9 mil) - todos atrás do de pele não melanoma, que lidera a lista com 57 mil casos.
Os dados divulgados fazem parte da publicação ''Estimativa 2005 - Incidência por Câncer no Brasil'', lançada desde 1995, e produzida com base nos casos fornecidos pelos Registros de Câncer de Base Populacional. Além de dar uma idéia da magnitude da doença no País, as informações reunidas são importantes para o planejamento de políticas públicas, observou Temporão. Na última divulgação, relativa ao ano de 2003, o câncer de pele não melanoma foi também o mais incidente.
Em 10 dos 11 tipos de tumores avaliados, o Estado de São Paulo apresenta taxa bruta de incidência por 100 mil habitantes acima do número registrado para todo o Brasil. O exceção foi o colo de útero.
Para o diretor do Inca, o câncer tem de ser considerado um problema de saúde pública. ''Em 2000, a estimativa de novos casos por ano, no mundo, foi de 10 milhões. Em 2015, calcula-se que chegaremos aos 15 milhões'', disse, destacando que no Brasil, em 2003, ocorreram 400 mil novos casos e 130 mil óbitos. Ele considerou que o aumento dos números da doença no País é reflexo do envelhecimento da população e da melhor cobertura do levantamento estatístico. ''Os dados não mostram que falhamos nas políticas de prevenção. O que ocorre é que os brasileiros estão vivendo mais e o câncer é um doença relacionada, principalmente, com a velhice. Apenas 3% dos casos atingem crianças''.
Embora o câncer de pele não melanoma seja o mais incidente, tem uma taxa de letalidade muito baixa. Os números registrados podem ser bem menores do que os casos no País. Temporão enfatiza que, embora o filtro solar seja um importante aliado no combate à doença, não deve ser tomado como a única medida de proteção. ''Tem gente que usa filtro e acha que pode se expor excessivamente ao sol''.


