BR tem 300 mil deficientes auditivos severos
Curitiba - Cerca de 1,5 mil pessoas já fizeram o implante no Brasil, de acordo com a Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuário de Implante Coclear (Adap). A demanda reprimida seria mais de 300 mil deficientes auditivos severos, entre adultos e adolescentes.
Só existem seis centros credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS) quatro em São Paulo, um no Rio Grande do Sul e outro no Rio Grande do Norte. O serviço está atrelado aos hospitais universitários públicos, que realizam o implante após seleção rigorosa dos pacientes.
O Centro de Pesquisas Auditivas de Bauru, o mais antigo deles, só atende crianças com até dois anos porque garante o resultado do implante. Se fizer bem cedo, a partir dos 12 meses ou até a idade pré-lingual, a criança portadora de deficiência auditiva profunda ainda vai se desenvolver e aprender a falar dentro do processo normal.
Já se o implante for num adulto que não é oralizado e não sabe fazer leitura labial, as dificuldades de reabilitação serão enormes, explica o otorrinolaringologista Maurício Buschle, um dos palestrantes do 1º Simpósio de Implante Coclear, que ocorreu em Curitiba, no último dia 20.
O Paraná aguarda, há oito anos, o credenciamento junto ao SUS, pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná
(UFPR). Dependemos de aspectos técnicos e políticos. Precisamos contratar mais profissionais para montar a equipe, mas para isso precisa ser feito concurso público. A UFPR não tem nem curso de Fonoaudiologia, justifica o otorrino, informando que a Santa Casa da Pontíficia Universidade Católica do Paraná está trabalhando para conseguir o credenciamento.
Por isso, o médico juntamente com outros cinco profisisonais montaram uma equipe e começaram a fazer implante coclear no Hospital Iguaçu, em Curitiba, com os custos pagos por convênios de saúde. Um implante desta natureza custa entre R$ 80 mil a R$ 100 mil, sendo que só o aparelho custa R$ 54 mil.
Somos o primeiro centro de implante coclear que não está ligado a uma universidade formalmente. Nossa idéia é que o serviço não seja restrito a hospitais públicos e que esses centros sejam implantados pelo Brasil, com atendimento feito pelos convênios ou particular, disse Buschle.
O primeiro implante feito pela equipe paranaense foi em junho e até agora já foram realizados cinco implantes, todos em adultos. Selecionamos bem os casos e estamos fazendo, em média, um implante por mês. Tivemos que provar que estamos fazendo um serviço sério até para conseguir os aparelhos junto aos fornecedores, que são só três no mundo, disse ele. (F.G.)
Serviço:
- Informações no site www.hospitaliguacu.com.br ou no telefone (41) 3342.3990.





