A presença de uma pequena - ainda que instigante - comunidade brasileira na diáspora não significa, porém, que o País tenha perdido seu tradicional papel de receber de braços abertos imigrantes do mundo todo. O panorama atual, porém, é bastante diferente do período histórico da imigração, quando italianos chegavam às centenas de milhares para trabalhar na lavoura do café, episódio recentemente glamourizado na novela ‘‘Terra Nostra’’.
Os grupos que chegam agora, basicamente asiáticos e latinos, têm um perfil urbano e se instalam principalmente na metrópole paulista. São principalmente coreanos, chineses e bolivianos. E entre eles, uma proporção considerável de mão-de-obra semiclandestina. ‘‘É uma característica hoje comum em cidades globais, como São Paulo’’, ensina Neide Patarra, organizadora da coletânea Emigração e imigração internacionais no Brasil contemporâneo.
‘‘O Brasil é realmente um país de imigrantes’’, sustenta o historiador e brasilianista Jeffrey Lesser, autor de ‘‘O Brasil e a Questão Judaica - Um Estudo Sobre a Imigração Judaica Para o País’’. ‘‘Embora sejam mais visíveis no sul, é possível encontrá-los em qualquer região do Brasil. E sua influência, tanto econômica quanto cultural, é enorme.’’
De fato, é mais fácil subestimar a influência da imigração no Brasil do que estimar seu verdadeiro tamanho. Segundo os historiadores, cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente europeus e asiáticos, teriam entrado no período que vai de 1870 a 1970. Uma parte significativa chegou nas últimas décadas do século 19 e primeiras do século 20, quando o grosso da migração tinha origem rural e, portanto, taxas de fecundidade mais altas. Estes pioneiros devem ter se multiplicado algumas vezes, dando origem a uma população de descendentes que deve somar hoje algumas dezenas de milhões.
E, ao contrário de um número cada vez maior de países industrializados que procuram erguer barreiras contra a entrada de estrangeiros, o Brasil continua sendo liberal e generoso em relação aos fluxos migratórios internacionais. Fontes oficiais estimam que haja, atualmente, no país, cerca de um milhão de estrangeiros. ‘‘A sociedade brasileira reconhece a importância da imigração internacional na sua formação histórica’’, afirmou no mesmo seminário Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto, diretor do departamento de estrangeiros do Ministério da Justiça.
Embora a influência da imigração internacional na formação histórica da população brasileira seja inequívoca, sabe-se mais sobre a época áurea da imigração do que sobre os fluxos mais recentes. ‘‘Palestinos, coreanos e chineses continuaram a chegar em números significativos depois da Segunda Guerra Mundial’’, diz Lesser. ‘‘Mas sabemos relativamente pouco sobre estes fluxos mais recentes porque foram menos estudados do que, por exemplo, a imigração italiana ou a japonesa.’’

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