Uma cruz de madeira com três metros de altura foi erguida ontem à tarde no canteiro central do quilômetro 108 da BR-277, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o ato foi uma homenagem ao agricultor Antônio Tavares Pereira, 38 anos. Ele morreu naquele trecho da rodovia em consequência de um tiro que teria sido disparado por um policial militar durante confronto na última terça-feira
Cânticos religiosos, orações e palavras de ordem foram a tônica do protesto. Os nomes de 15 trabalhadores executados durante a gestão do governador Jaime Lerner foram lembrados nos discursos. Em seguida, os sem-terra lançaram fumaça vermelha para simbolizar a violência no campo. Um poema do sem-terra Jelson Oliveira sobre Pereira foi distribuído. No final da poesia, uma mensagem acusava Lerner e o secretário de Segurança Pública, José Tavares, de ‘‘mandar assassinar o agricultor’’. O bispo auxiliar de Curitiba, d. Ladislau Biernaski, disse que a cruz não era para ser vista como um retrato de derrota. ‘‘Que esta cruz seja um sinal da vitória de vocês’’, afirmou.
Apesar dos ataques de militantes do MST que discursaram contra a ação da PM e do governo, não foram registrados incidentes com os policiais rodoviários que controlavam o trânsito. De acordo com o capitão Antônio Carlos Fernandes, da Polícia Rodoviária Estadual, cerca de 800 pessoas participaram da manifestação. Rogério Mauro, integrante da coordeção estadual do MST, estimou que o encontro reuniu aproximadamente 1,3 mil agricultores.
Mauro comentou que a confirmação de que Pereira foi morto na BR-277 ao invés da BR-116, como informou o governo, só mostra que as autoridades procuraram confundir a opinião pública. ‘‘A verdade a gente fala uma vez só e não deve ficar sustentando uma nova versão a cada momento para enganar o povo do Paranᒒ, disse.

mockup