BR está 'vacinado' contra a crise norte-americana
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segunda-feira, 07 de abril de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de ser difícil prever qual vai ser a intensidade da crise econômica dos Estados Unidos, o Brasil tem uma razoável cobertura de ''vacina'' contra os problemas norte-americanos. Esta posição foi defendida ontem pelo empresário e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, em Curitiba. Entre os pontos fortes do Brasil que trazem uma certa blindagem para o País estão a ausência de dívida externa líquida e de créditos podres no sistema financeiro, a inflação baixa e o superávit da balança comercial que, segundo ele, deve fechar este ano acima de US$ 20 bilhões. Além disso, o País possui matérias-primas bastante valorizadas no mercado internacional.
Furlan defendeu que países como China, Índia, Brasil e Rússia poderiam ser ''inibidores do alastramento da crise norte-americana''. Ele lembrou que, apesar do problema econômico dos Estados Unidos, o Brasil tem 20 grandes empresas como a Gerdau, a Vale do Rio Doce e a Petrobras investindo no exterior. Só em 2007, foram US$ 34 bilhões de investimentos brasileiros fora do País.
Destacou ainda que não há problema no Brasil que dependa de efeitos externos. Para ele, ''o Brasil depende só do Brasil'' para crescer. Furlan disse ainda que os reflexos da crise vão depender do que vai acontecer na China, Índia, Brasil e Rússia que serão as principais economias dentro de 30 anos. E acredita que a crise dos EUA não vai trazer impactos para o Brasil em 2008.
Para ele, à medida que o Brasil tem melhora da economia, não será preciso haver mudanças na política cambial. O ex-ministro acredita que o governo não vai mexer no câmbio e que as empresas terão que buscar competitividade no mercado interno. ''Ainda não vi nenhuma proposta viável além do câmbio flutuante'', disse. A reforma tributária, a redução da burocracia e do custo financeiro também poderiam trazer efeitos positivos para o País.
Furlan não acredita em aumento de inflação e de juros no Brasil. Ele comentou ainda que é normal a balança comercial ter resultados negativos nos primeiros meses do ano por questões sazonais como as férias. No entanto, com o início da safra no Centro-Sul, desde março, a previsão é que haja superávit da balança a partir de abril. Segundo ele, a greve dos auditores da Receita Federal também prejudicou muito o comércio exterior do Brasil. A previsão dele é que a balança tenha saldos de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões por mês até setembro.
Para ele, é necessário que o governo tome medidas de crédito, de investimentos e de abertura de mercados para que a queda nas exportações não seja ainda mais acentuada.


