BR Distribuidora admite rever acordo com argentina YPF
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 24 (AE) - O executivo Luiz Antonio Viana, que há menos de um mês trocou a diretoria-geral do Grupo Pão de Açúcar pela presidência da BR-Distribuidora, ainda não sabe se o recente acordo com a Yacimientos Petroliferos Fiscales (YPF), de investimento conjunto em revenda de combustíveis, será mantido após a compra da empresa argentina pela espanhola Repsol. "Não sei quais são as intenções da YPF, mas pode ser que o acordo seja revisto por causa do take-over da empresa."
O acordo, firmado no segundo semestre do ano passado, previa a instalação de 40 postos de bandeira dupla no Brasil e na Argentina, dos quais apenas dois postos-pilotos foram construídos, um em cada país.
Viana informou, porém, que a empresa, subsidiária da Petrobrás de maior faturamento (R$ 8,7 bilhões no ano passado), seguirá a política de internacionalização adotada pela nova direção da holding. "Somos um dos ativos da Petrobrás que podem ser usados em trocas com outras empresas, dentro de uma linha de ganho de eficiência", comentou.
A BR espera aumentar sua participação no mercado de distribuição - que lidera atualmente no Brasil com uma fatia de 35%, contra 22% da Shell, a segunda colocada no ranking - com as permutas de ativos.
Paralelamente a isto, a empresa está iniciando uma agressiva campanha de repressão aos postos de gasolina que ostentam sua marca, mas que compram de outros fornecedores. Esta semana, a empresa vai colocar anúncios em outdoors em São Paulo localizados ao lado de "postos que praticam a infidelidade de bandeira", com os seguintes dizeres: "Cuidado, este posto não compra gasolina da BR".
A campanha foi lançada no Rio, em um posto na Ilha do Governador, no caminho do Aeroporto Internacional, com sucesso. Em São Paulo, os cartazes serão afixados ao lado de postos na zona sul, no caminho do Aeroporto de Congonhas.
Segundo Viana, levantamento da empresa já detectou cerca de 80 postos, de um total de 7,2 mil em todo o País, que desrespeitam a cláusula de exclusividade prevista no contrato.
Ações - O novo presidente da BR pretende levar para a estatal uma experiência típica da iniciativa privada: a oferta de ações da empresa a funcionários, com desconto na compra em relação à cotação do mercado, com prazo estipulado para a venda.
Na operação de venda, porém, é exigida a conversão pela cotação do dia. A chamada sotck option é largamente utilizada no mundo, especialmente para aumentar salários de executivos, mas Viana garante que, caso a proposta seja aprovada, a oferta será feita a todos os funcionários.
No Grupo Pão de Açúcar, onde ele implantou o sistema em 1994, as ações foram vendidas a R$ 12 e, antes do término do primeiro exercício, que vence em janeiro deste ano, já estão cotadas a R$ 35.
Viana confirmou, também, o interesse da BR em participar das administrações da Comgás e da CEG, distribuidoras de gás de São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa deve apresentar às duas distribuidoras propostas de swap de ativos, como já havia adiantado o presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul.


