Curtitiba A primeira vacina contra o rotavírus no Brasil pode ser aplicada até o final do ano. Inicialmente, a vacina ficará restrita ao setor privado de saúde, mas a expectativa é que seja adotada o mais rápido possível, em larga escala, também pela saúde pública. A notícia sobre a descoberta da vacina é bem-vinda principalmente entre as mães. O alvo preferido do vírus são as crianças, em especial bebês entre 6 meses a dois anos.
No Sul do País, assim como no Sudeste e Centro-Oeste é nesta época do ano, entre outono e inverno, que há maior incidência da doença. O rotavírus é preocupante, uma vez que é a principal causa de gastroenterite aguda em crianças. Além da forte diarréia, outros sintomas são vômitos e febre alta. O resultado desse quadro é a desidratação do paciente, o que exige, também, rápida intervenção médica.
A doença, que causa em todo mundo 600 mil mortes por ano de crianças até cinco anos, é um dos temas em discussão no 16º Congresso Brasileiro de Infectologia Pediátrica, que está sendo realizado em Foz do Iguaçu, desde quarta-feira, com encerramento amanhã. ''Pelo grande impacto no índice de mortalidade e de morbidade, há consenso de que a vacina é a única forma de controle e prevenção da doença'', diz o médico Alexandre Linhares, especialista que detectou pela primeira vez o rotavírus no Brasil, em 1976.
De acordo com Linhares, 88% das mortes por rotavírus, o correspondente a cerca de 520 mil óbitos, ocorrem nos países em desenvolvimento. No Brasil, estimativas conservadoras contabilizam 3 mil mortes por ano. Por isso, segundo ele, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Panamericana de Saúde (OPS) indicam que a vacina seja incluída nos calendários de imunização já existentes.
A vacina, fabricada pelo laboratório GlaxoSmithline, da Bélgica, está em fase final de estudos. Atualmente México, Kuait e República Dominicana já a adotaram. A vacina é oral (em gotas), aplicada em duas doses, aos dois meses e outra aos quatro meses de idade. Os períodos foram definidos de modo que a criança já esteja imunizada quando completar seis meses, época em que aumentam as chances de contrair a doença.
Desenvolvida a partir do vírus contaminado de origem humana, a vacina passou por estudos em vários países do mundo, incluindo o Brasil. Os testes, de acordo com Linhares, mostram que ela consegue evitar mais de 80% das formas graves da diarréia provocadas pelo rotavírus. ''Os resultados mostram que ela é segura, eficaz e não produz reações adversas importantes'', avalia ele, que também é membro da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em Belém.
A última fase dos estudos, voltada para assegurar a segurança e eficácia da vacina, está sendo realizada em 11 países com aproximadamente 63 mil crianças, sendo 3,2 mil do Brasil, todas na cidade de Belém (PA), onde Linhares coordena os trabalhos.

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