BR-476 está cheia de buracos de novo
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terça-feira, 09 de maio de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O caminhoneiro gaúcho Sérgio Antônio Kuczkoski, 46 anos, foi pego de surpresa com a notícia de que o trecho da BR-476, entre Lapa e São Mateus do Sul, estava novamente em situações precárias, cheio de buracos. O espanto do motorista tem fundamento, já que o local passou, no começo do ano, por obras do Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas do Governo Federal, apelidado de Tapa-Buracos.
Vou ter que enfrentar o asfalto esburacado. Atrasa a viagem e quebra tudo. Para fugir, só se for de helicóptero, ironiza Sérgio Antônio. Para ele, a alternativa é fazer outro caminho até o Rio Grande do Sul, pela estrada que passa por Canoinhas, totalizando cerca de 60 quilômetros a mais do que o trajeto de costume.
O gerente de um posto de gasolina do município de Contenda, Edvaldo Guimarães, de 36 anos, se revolta com a situação. Passamos 60 dias com a estrada bloqueada, quase falimos, e em pouco tempo os buracos reaparecerem. Tem uma parte da estrada, cerca de dois quilômetros, na Lapa, que os motoristas reclamam muito. Eu mesmo já furei quatro pneus, reclamou
De acordo com o chefe do Serviço de Infra-Estrutura do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit-PR), Marcelo Gasino, apenas 20% das obras desse trecho foram concluídas pelo órgão. A BR-476 é a segunda rodovia do Paraná que se encontrava em pior situação, atrás apenas da BR-163 (Rondon-Guaíra), onde 20% do pavimento tinha sumido, disse.
Gasino esclarece que as obras no local foram atrasadas devido à demora no empenho de recursos e para assinar contrato com a empresa responsável pelo serviço. Ele explica que o trecho entre Lapa e São Mateus do Sul, cerca de 80 quilômetros, foi construído há 21 anos, estava intransitável e oferecia grandes riscos de provocar acidentes. Tinham buracos de meio metro de profundidade e que tomavam as duas pistas inteiras, cerca de sete metros de largura. Essas obras serviram para evitar acidentes, disse.
De acordo com o cehfe do Dnit-PR, as obras não deixarão a estrada em perfeito estado. Não vamos deixar a estrada nova, porque ela precisa de restauração, que pretendemos fazer no início de 2007, explica Gasino. Segundo ele, a proposta do programa é de reduzir, a médio prazo, o número de buracos, além de devolver boa trafegabilidade para as rodovias federais.
Segundo Gasino, a operação Tapa-Buracos prevê serviços de remendos, limpeza dos dispositivos de drenagem (bueiros) e roçagem nos trechos. Gastamos em torno de R$ 50 mil em cada quilômetro da operação emergencial. Já na estrada que estamos restaurando entre Santo Antônio da Plantina e Ibaiti, será investido R$ 500 mil por quilômetro, porque se trata de recapeamento e fresagem, compara Gasino.
Para o Estado todo serão investidos R$ 27 milhões na conservação de quase 600 quilômetros de estradas, das quais 55% já tiveram o serviço concluído. Após o dia 8 de julho, quando termina o programa emergencial, ele garante que todas rodovias continuarão recebendo conservação. No trecho entre Lapa e São Mateus do Sul, serão aplicados R$ 4,4 milhões.


