Londres, 01 (AE) - A gigante britânica de petróleo, BP Amoco, terceira maior companhia aberta do setor, confirmou nesta sexta-feira (01) a compra da norte-americana Atlantic Richfield Co. (Arco) por um total de US$ 26,8 bilhões em ações.
Os valores da transação, aprovada por unanimidade pela diretoria da Arco, indicam que a BP Amoco pagou um prêmio equivalente a 26% sobre o preço das ações da companhia norte-americana, com base nas cotações verificadas no fechamento dos negócios na sexta-feira, além de absorver a dívida líquida da Arco, que somava US$ 6,2 bilhões no fim de 1998.
A nova empresa, que levará o nome de BP Amoco, ficará responsável pelo refino de aproximadamente 1,9 milhões de barris de petróleo por dia, superando, nesse segmento, o desempenho da parceria entre a Texaco, a Royal Dutch/Shell e a estatal saudita Aramco. Além disso, a nova companhia terá 13% do mercado norte-americano de gasolina, já que a participação da Arco na Califórnia é de 26%.
O negócio, o quarto maior da indústria de petróleo desde agosto, quando a mesma BP acertou a compra da Amoco Corp. por um total de US$ 62 bilhões, permitirá criar a maior empresa mundial de produção e refino de petróleo.
De acordo com as estimativas do principal executivo da BP Amoco, John Browne, a aquisição permitirá que a companhia faça uma economia de, no mínimo, US$ 1 bilhão por ano, seja por causa da sinergia que poderá ser empregada na produção de petróleo no Alasca, seja em decorrência da demissão de 2 mil empregados, prevista no acordo.
Entre 15% e 20% das demissões ocorrerão no Alasca. Os demais cortes serão realizados na sede da Arco em Los Angeles, no Estado da Califórnia, e no centro de pesquisas da companhia em Plano, um subúrbio de Dallas, no Estado do Texas. Até o fim de 1998, a BP Amoco empregava 96,65 mil pessoas, enquanto a Arco tinha 18,4 mil funcionários.
Para a companhia britânica, o negócio implica ainda outras despesas, no valor de US$ 1 bilhão. Desse total, US$ 400 milhões serão pagos ao governo britânico a título de tributos. No total de gastos também já estão incluídos os custos das demissões.
De acordo com Browne, a BP Amoco vai vender US$ 3 bilhões em ativos da Arco, incluída a frota de tanques e mais de 121,5 mil hectares de terra no Alasca. A decisão de desvencilhar-se dos tanques é atribuída ao fato de que uma lei norte-americana impede o trânsito de tanques de bandeira estrangeira entre os portos dos EUA.
Pela legislação do Alasca, as companhias estrangeiras também estão impedidas de possuir mais de 202,3 mil hectares de terras (ansiare e ofuscara). Juntas, a BP Amoco e a Arco ficariam com 352,1 mil hectares de terras na região.
Conforme os termos da aquisição, os executivos da Arco deixarão a empresa para permitir que a direção da BP Amoco assuma o controle da nova empresa.
Antitruste - O negócio ainda deve ser aprovado pela comissão encarregada da aplicação da lei antitruste nos EUA, União Européia e pelos acionistas de ambas as empresas. Mas os especialistas não acreditam que a transação seja vetada.
O acordo é visto no setor de petróleo como um acerto milionário, que dará à BP Amoco uma posição dominante e privilegiada no mercado. Sob uma ótica diferente, os sindicatos observam que a compra da Amoco pela BP já custou cerca de 10 mil empregos.

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