Bovespa perde 4,88% no dia e reduz valorização no ano para 64 41%
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 24 (AE) - Os últimos dez dias não foram fáceis para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Desde o dia 13, quando o Índice Bovespa registrou o seu último pico de alta, o mercado acionário paulista acumula uma queda de 10,47%, reduzindo a valorização no ano para 64,41%.
Até sexta-feira, a bolsa ainda estava positiva no mês, em 3,2%, mas acabou revertendo essa tendência, hoje, passando a registrar uma desvalorização de 1,73%. Hoje a Bolsa de São Paulo teve desvalorização de 4,88%. No Rio de Janeiro, o recuo foi de 4,47%.
O primeiro fator que levou a uma mudança no desempenho da Bovespa foi a divulgação dos dados sobre a inflação norte-americana de abril. E, desde a semana passada, os problemas relacionados à Argentina acentuaram esse movimento, atingindo não apenas as bolsas domésticas, mas os papéis de países emergentes.
De acordo com analistas, como a bolsa paulista vinha acumulando um bom desempenho no ano, o preço das ações, embora ainda baixo, permitiu um movimento de realização lucros. Ou seja
os investidores aproveitaram para vender um pouco de ações para embolsar o lucro da operação.
A queda do Dow Jones, a realização de lucros e a Argentina foram os motivos atribuídos pelos operadores para a queda da bolsa paulista de 4,88%, hoje, que atingiu igualmente quase todos os papéis negociados na Bovespa. Diferentemente do Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, abatido pela queda das ações dos bancos e do setor de tecnologia. Aqui, as ações de telecomunicações, as mais transacionadas no pregão paulista, tiveram o mesmo impacto dos papéis de segunda linha, com algumas exceções.
As ações ordinárias da Telesp, po exemplo, caíram 9,7%, a maior queda do Ibovespa, seguida dos papéis preferenciais da Brahma, que recuaram 9,3% em relação à cotação de sexta-feira.
Os recibos da Telebrás, que agrupam as ações das empresas criadas a partir da divisão da Telebrás, fecharam em queda de mais de 5%. Os recibos respondem por mais por 56,9% dos negócios realizados no mercado acionário paulista.
Também as ações dos papéis de energia elétrica recuaram, mas numa intensidade bem menor. O Índice de Energia Elétrica registrou queda de 2,8% e no ano acumula uma valorização de 73 4%. Não é à toa que os papéis do setor elétrico são um dos preferidos dos investidores estrangeiros.
O destaque na alta ontem foram as ações ordinárias da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), que fecharam com vigorosa valorização de 5,2%, estimulada pela decisão da empresa de recomprar os papéis que estão em poder da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).


