Rio, 05 (AE) - O início tumultuado do mercado acionário brasileiro este ano não deve impedir que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) alcance 20 mil pontos ainda no primeiro trimestre de 2000. Hoje a bolsa paulista opera em torno de 16 mil pontos. A previsão de aumento de 25% no nível de operação foi feita pelo Banco Walburg Dillon Read, que recomenda investimentos em ações dos setores ligados à Internet, de energia elétrica, de telecomunicações e petróleo.
"A entrada dos investidores estrangeiros vai impulsionar o mercado brasileiro nos próximos meses", avalia o diretor de Brazil Equity do Banco Walburg Dillon Read, Marcelo Mesquita. Ele lembra que a trajetória de alta no final de 1999 foi estimulada apenas por aplicadores locais, que buscaram nas bolsas rentabilidades maiores do que as obtidas em renda fixa. "Com a queda dos juros e a alta da inflação, os ganhos diminuíram e investidores começaram a olhar com mais atenção para as bolsas."
O executivo não está preocupado com o clima de incerteza que ronda o mercado financeiro. Segundo ele, os investidores estão usando a preocupação com a alta dos juros americanos para realizar os lucros obtidos no final do ano passado. "O movimento não representa uma tendência de longo prazo", afirma. "Passado o susto inicial, o mercado deve voltar a subir." Mesquita destaca ainda o gás dos investidores locais, que não devem ficar de fora do mercado. Ele cita como exemplo o caso dos fundos de pensão, que terão problema para obter um rendimento mínimo semelhante a IGP-M mais 6% ao ano. "Com exceção dos cinco maiores fundos de pensão, o restante desse mercado ainda aplica muito pouco nas bolsas", ressalta. "A perspectiva é aumentar ainda mais a transferência dos recursos em renda fixa para ações."
Emergente - O diretor do Walburg Dillon Read pondera que a bolsa brasileira vai atrair grande parte do fluxo de recursos externos este ano. Ele explica que o preço das ações ainda está barato e que os títulos nacionais tem muita liquidez, um dos pontos fundamentais na análise de instituições estrangeiras.
Mesquita aponta os bancos e as empresas de varejo como alguns dos setores mais promissores em 2000. O interesse está ligado diretamente ao investimento deles em atividades na Internet, que se tornaram o grande destaque das bolsas no final do ano passado. "É possível reduzir drasticamente o custo das operações com a Internet, isso, com certeza, vai se refletir em valorização dos papéis dessas companhias", prevê.