Botijão explode e mata menina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de julho de 1997
Das agências Rio 
Uma menina de 9 anos morreu e outras seis pessoas ficaram feridas, sem gravidade, ontem, no desabamento de três casas que ocupavam um terreno de cerca de 50 metros quadrados no Lote 15, bairro pobre do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O desabamento foi provocado pela explosão de um botijão de gás por volta do meio-dia.
Embora parentes e vizinhos afirmem que as outras quatro pessoas que estavam no local na hora do desabamento escaparam ilesas, uma divisão do Corpo de Bombeiros acreditava que ainda poderia haver corpos sob os escombros, já que 14 pessoas moravam nas quatro casas. Até o fim da tarde de ontem, no entanto, mais nenhum corpo havia sido encontrado.
Eliezer Severino Ferreira, de 34 anos, contou que tinha acabado de chegar do trabalho, quando sua mãe, Doralice, pediu que transferisse o botijão, que estava em uso em um fogão, para outro. Ferreira fez a mudança que as engarrafadoras de gás desaconselham que seja feita justamente por oferecer riscos de vazamento.
Quando eu tirei o registro do botijão, o fogo subiu, contou Ferreira. Só tive tempo de puxar minha mãe pelo braço e de gritar para que todo mundo saísse de casa. Rejane Severino, de 9 anos, sobrinha de Ferreira, não teve tempo de correr. Ela tinha acabado de chegar do colégio e estava no andar de cima trocando de roupa. Rejane ainda foi levada pelos bombeiros para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, município vizinho, mas não resistiu aos múltiplos ferimentos.
Ela deu azar, coitadinha. Por um segundo, ela conseguia sair de casa, afirmou Ferreira. A explosão assustou os vizinhos da rua Albano, no lote 15 do bairro do Vasco, uma periferia carente de Belford Roxo. A poeira tomou conta de meu corpo inteiro. Foi um desespero, disse Rosa da Silva Bezerra Gomes, 34.
Mesmo correndo para escapar do desabamento, Doralice ainda teve tempo de salvar dois bebês, de 8 dias e 1 mês de vida. Mais tarde, em estado de choque, ela não conseguia se lembrar de seu ato de coragem, atribuindo a bravura ao filho. Foi ela mesma quem salvou os bebês, garantiu Ferreira, que também teve seu momento de herói. Elizabete, sua irmã de 18 anos, ficou com o corpo praticamente todo coberto pelos escombros. Só a cabeça e o pescoço ficaram de fora, contou Ferreira.
Ele conseguiu remover a pedra maior que estava sobre seu peito e a puxou pelos ombros. Elizabete sofreu cortes na testa, nos braços e nas pernas, mas não teve fratura alguma ou nenhum tipo de contusão grave.
Além de tentar localizar corpos de outras possíveis vítimas do desabamento, os bombeiros procuraram localizar outros botijões de gás sob os escombros, o que efetivamente acabou acontecendo no meio da tarde. Um dos soldados saiu correndo do terreno do desabamento em direção à rua com um botijão ainda em chamas nas mãos. O fogo foi apagado prontamente, mas assustou a multidão que, da rua, assistia ao trabalhos da equipe de resgate.


