Botelho espera atitude concreta do governo
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domingo, 14 de janeiro de 2001
Ana Paula Nascimento De Londrina 
Bem humorado e disposto, o líder nacional dos caminhoneiros, Nélio Botelho, esteve em Londrina neste final de semana para participar do encontro regional realizado na tarde de ontem, no Hotel Sumatra (área central da cidade), onde foi discutida a paralisação geral da categoria no próximo dia 29, uma segunda-feira.
O evento foi promovido pelo movimento União Brasil Caminhoneiro, que reúne sindicatos autônomos de todo o Brasil, e teve a participação de líderes regionais do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso. Encontros semelhantes já foram realizados em outras regiões do País, com o mesmo objetivo.
Caminhoneiro por 26 anos, Nélio Botelho deixou o volante há 16, para militar no Sindicato dos Caminhoneiros do Rio de Janeiro. Durante 8 anos, realizou o programa diário A hora do caminhoneiro, da Rádio Globo. O bom é que eu não recebia nada para fazer o programa, mas tinha total liberdade para comentar e criticar o que eu quisesse, contou Botelho para a reportagem da Folha ontem, minutos antes do almoço no restaurante do próprio hotel onde seria realizado o encontro pouco depois, em companhia de líderes da categoria do Paraná e de outros estados do Sul do País.
Em julho de 1999, Nélio Botelho liderou o maior bloqueio de rodovias de todo o País registrado nos últimos anos. O movimento chamou a atenção e ganhou inclusive repercussão internacional, pelo poder de adesão à paralisação. Bloqueios foram registrados em várias partes do Brasil, demonstrando que os manifestantes estavam unidos e lutavam por um único objetivo: melhorar as condições de trabalhos e os ganhos dos caminhoneiros.
Em maio do ano passado, organizou uma nova paralisação que, segundo ele, foi meio organizada. Para a paralisação do dia 29, ele aguarda uma grande participação da classe caminhoneira e espera que a população brasileira tenha consciência que as reivindicações feitas pela categoria trarão benefícios a toda a população, e não apenas para os manifestantes.
Uma das principais reivindicações dos caminhoneiros é quanto a cobrança de pedágios. O grande vilão do transporte de carga é o pedágio, que acaba sendo repassado no valor do frete, ficando o ônus na mão do caminhoneiro e não no proprietário, disse Nélio Botelho.
Ele também se disse indignado com os valores cobrados. Opedágio mais barato é de R$ 2,80 e o mais caro R$ 5,20. E, sinceramente, o máximo que poderíamos pagar é R$ 1,00, afirmou o líder.
Outro aspecto importante levantado pelos caminhoneiros são os aumentos do óleo diesel. Eles sugerem que esses aumentos sejam vinculados aos valores dos fretes, através de uma planilha, com atualizações periódicas. Nós já redigimos um documento explicando todas as nossas reivindicações e estamos encaminhando ao governo. E, na verdade, eu espero que o governo tome alguma atitude para que não tenhamos que efetuar a greve, acrescentou.
O diálogo com o governo é outra expectativa esperada por Nélio Botelho: Precisamos voltar a conversar e não queremos mais promessas, e sim, atitudes concretas.
Recentemente, o Tribunal Regional Federal (TRF) proibiu a cobrança de pedágio em Corbélia (PR) e em quatro praças da BR-116, entre Nova Petrópolis e a divisa de Vacaria com Lages (SC), segundo informou Nélio Botelho.
Na praça de Corbélia, a cobrança continua suspensa enquanto o governo do Estado e a concessionária responsável pelo trecho aguardam decisão da Justiça. As quatro praças da BR-116 são de responsabilidade das concessionárias Convias e Rodosul. No cinco casos, a Justiça concedeu a suspensão devido à falta de rotas alternativas em plenas condições de trafegabilidade.


