Botelho é contra criação de agência de transportes
Agência Estado
De São Paulo
O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, disse ontem que a criação da Agência Nacional de Transportes (ANT) pelo governo terá resultados ainda mais catastróficos para o setor no Brasil. Estamos vendo que a criação dessas agências nacionais não tem trazido os resultados desejados. Não vai funcionar, disse.
Botelho citou como exemplo o que já ocorre nos setores de telecomunicações e petróleo, a partir da criação da Anatel e da ANP que, segundo ele, não funcionam por problemas que vão desde fiscalização inadequada à alteração de produtos. Muito mais complexa seria a implantação de uma Agência Nacional de Transportes, afirmou.
O projeto que cria a ANT, enviado ontem pelo presidente Fernando Henrique ao Congresso Nacional, determina a extinção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e sua substituição pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dinfra). Essa medida é considerada um grande erro por Botelho. Nossa pauta de reivindicações pede justamente a reestruturação do DNER e a volta do Fundo Rodoviário Nacional, disse. De acordo com o líder dos caminhoneiros, o DNER é um órgão técnico que conta com os melhores engenheiros, porém ociosos por culpa do governo.
Segundo Botelho, o Fundo Rodoviário Nacional, visto com bons olhos pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, determina o pagamento de um percentual sobre o preço da gasolina, funcionando como uma espécie de imposto reduzido. A receita gerada pela cobrança desse percentual poderia melhorar a conservação das rodovias e aumentar os investimentos em novas estradas. Mas o principal benefício trazido com a implantação do Fundo, para Botelho, seria a melhora da remuneração das concessionárias, o que eliminaria a cobrança elevada do pedágio nas estradas. Sairia muito mais barato para o usuário, afirmou.
O presidente da UBC disse que participará de uma reunião, na próxima quinta-feira, no Ministério dos Transportes, em Brasília, na qual reafirmará a posição do setor contrária à criação da ANT. Entendemos a necessidade de modernizar o País, mas nem tudo pode ser alterado, declarou Botelho.





