'Botão do Pânico' deve ser implantado em julho em Londrina
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domingo, 22 de abril de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina aguarda a liberação de R$ 162.451,20 para dar início ao plano de implantação do dispositivo de segurança preventiva, o chamado "botão do pânico". A tecnologia visa aumentar a proteção de mulheres em casos de descumprimento de medida judicial protetiva. Elas poderão acionar a Guarda Municipal (Patrulha Maria da Penha) ao se sentirem ameaçadas com a proximidade dos agressores. Os recursos serão repassados pela Seds (secretaria do Estado da Família e Desenvolvimento Social para cobrir o aluguel do equipamento pelo período de 12 meses. A contrapartida da prefeitura municipal será de 1% desse valor.
Segundo a assessora técnica da secretaria municipal de Políticas para Mulheres, Elaine Galvão, a organização do plano de trabalho para o funcionamento do botão já está pronto. "Vamos abrir o processo licitatório assim que o recurso for disponibilizado. A gente espera que o funcionamento comece em julho", afirmou.
Ao todo, 15 municípios contarão com a tecnologia, envolvendo um investimento total de R$ 2,6 milhões. Além de Londrina estão Curitiba, Pinhais, Cascavel, Araucária, Ponta Grossa, Irati, Campo Largo, Foz do Iguaçu, Pontal do Paraná, Maringá, Apucarana, Matinhos, Paranaguá e Arapongas.
A seleção considerou o índice de violência contra mulher, atuação de equipes socioassistenciais e do judiciário, presença da Guarda Municipal e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher ativo ou em fase de implantação.
Por enquanto, o recurso só foi repassado para os municípios de Irati e Curitiba.
A assessoria de comunicação da Seds informou que para Londrina "o recurso será liberado em 15 a 20 dias, assim que todos os trâmites forem atendidos".

TREINAMENTO
No início de abril, equipes das 15 cidades participaram de um treinamento em Curitiba, com representantes de Vitória (ES), que adotou o dispositivo há cinco anos. A capital do Espírito Santo possui hoje 12 dispositivos ativos e até 2017 foram registrados 41 acionamentos. "Houve uma diminuição no descumprimento de medidas protetivas naquela capital. Então, vejo que este será um recurso a mais à disposição das mulheres em Londrina, para que se sintam mais protegidas e tenham mais segurança em denunciar seus agressores", comenta Galvão.
A coordenadora estadual da Política da Mulher da Seds, Ana Claudia Machado disse que o evento possibilitou esclarecer dúvidas e deu a "possibilidade dos municípios se conhecerem e trocarem experiências, passando suas realidades aos demais".
Atualmente, as mulheres vítimas de violência doméstica em Londrina contam com a Patrulha Maria da Penha, acionada pelo 153. O trabalho envolve a Secretaria de Políticas para Mulheres, Poder Judiciário e GM (Guarda Municipal). "Cerca de 450 mulheres já foram atendidas pela Patrulha desde a implantação em julho de 2015, e entre janeiro e fevereiro deste ano já foram 27 atendimentos", aponta Galvão.
Com o botão do pânico, as informações das vítimas e dos agressores serão cadastradas no sistema de monitoramento da GM após decisão judicial. Ao acionar o dispositivo, os agentes terão acesso ao áudio do local e à localização da vítima, encaminhando viaturas o mais rápido possível.
O equipamento, de acordo com Galvão, é discreto e dá para ser carregado na bolsa. Seu uso é previsto no Estado através da Lei 18.868, sancionada em setembro de 2016.
O anúncio oficial sobre o 'botão do pânico' foi feito em novembro de 2017, através de uma documento assinado entre a Secretaria Estadual da Família e Desenvolvimento Social e o TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná).
Pelo convênio, a coordenação do projeto fica a cargo do TJ-PR, que controlará a entrega dos dispositivos, assim como orientará as mulheres vítimas de violência quanto às regras de funcionamento do botão do pânico.


