Botafogo projeta crescimento de 17% das exportações em 2000
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 07 (AE) - O secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), embaixador José Botafogo Gonçalves, acredita que o volume das exportações brasileiras crescerá 17% no próximo ano em comparação com este. Embora espere também um crescimento da receita, o secretário não quis arriscar uma previsão, dizendo que qualquer número seria uma irresponsabilidade.
Segundo Botafogo, a recuperação moderada das economias japonesa e européia, assim como de alguns países da Aladi, e a diversificação dos produtos brasileiros exportados e dos mercados compradores, justificariam esse crescimento em 2000. "Haverá uma recuperação importante da receita", ponderou Botafogo, que acredita que a balança comercial brasileira deva fechar 1999 com um "empate" entre os saldos das exportações e das importações. Se os preços das comodities agrícolas no mercado internacional não estivessem tão depreciados, a balança comercial brasileira poderia registrar neste ano um superávit entre US$ 4,5 bilhões a US$ 5 bilhões, de acordo com a avaliação do embaixador, que participou hoje do seminário "O Comércio Exterior Brasileiro na Virada do Século".
A Camex faz suas projeções para 2000, com a perspectiva de manutenção do preço atual do barril de petróleo no mercado mundial, admitindo apenas a ocorrência de uma pequena queda.
Ao responder críticas do presidente do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Bóris Tabacof, que afirmou, no mesmo seminário pela manhã, que a Camex "não está funcionando", Botafogo disse desconhecer o descontentamento do empresário que integra a Camex representando o setor de papel e papelão. "É uma opinião como qualquer outra, e só me serve de estímulo", afirmou Botafogo, ponderando que o esforço da Camex é válido, mas demandará um trabalho de longo prazo. Segundo ele, economias exportadoras de importância, como as asiáticas, fizeram um esforço ao longo de 20 ou 25 anos para atingir um nível de excelência.
Sobre as atuais dificuldades nas relações do Mercosul, Botafogo ponderou que os acordos recentemente assinados entre o Brasil e Argentina, nos setores de calçados e de papel, são considerados bons, dentro da exceção que os caracterizam. "O Mercosul deve ser uma zona de livre comércio, não de um comércio compartimentalizado", ponderou o embaixador, reconhecendo no entanto que a especificidade do momento político argentino, com a realização de uma eleição presidencial neste mês, limita as negociações entre os dois países.


