Botafogo prevê crescimento de 10% das exportações com câmbio livre
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 22 - O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, disse hoje que a liberação do câmbio poderá propiciar um crescimento das exportaçaões brasileiras em torno de 10% este ano em relação ao ano passado. Este crescimento, aliado à tendência de queda acentuada nas importações, deverá levar a balança comercial brasileira a alcançar pelo menos uma situação de equilíbrio em 1999, afirmou. "Uma previsão mais clara, no entanto, sobre desempenho da balança comercial, só será possível após o equilíbrio da taxa de câmbio", ressaltou.
Botafogo explicou que é díficil fazer uma previsão sobre os resultados a serem alcançados pela balança comercial porque estes não dependem apenas da questão cambial. Dependem, por exemplo, da performance da economia mundial. Nesse contexto, disse que a retomada do crescimento da economia americana, estimada em cerca de 2% para este ano, e o aquecimento da economia européia e mesmo de alguns países asiáticos, permitem antever um quadro mais promissor.
Cauteloso, Botafogo lembra que no ano passado, quando a expectativa era de que as exportações brasileiras crescessem em torno de 11%, houve uma queda de 3,5% em relação a 1997, em função das crises financeiras asiática e russa. As exportações em 1998 somaram US$ 51,120 bilhões contra importações de US$ 57 550 bilhões, registrando um déficit de US$ 6,430 bilhões. Para este ano, ele prevê bom desempenho especialmente para algumas commodities, como café e soja, e para as vendas de suco de laranja. Este último, conforme ele, devido a geadas ocorridas na colheita de laranjas da Flórida, deverá crescer entre 10 a 15%, segundo estimativas do setor.
Botafogo afirmou que o governo centrará todos os esforços para aumentar as exportações, estimulando principalmente o Programa Especial de Exportações (PEE), criado no ano passado e que tem como meta alcançar US$ 100 bilhões até 2002. Nesse sentido, disse ser preciso tentar exportar mercadorias brasileiras para todos os países, embora haja uma tendência natural de vender para mercados mais próximos, como a América Latina. "A recessão na Argentina tem mostrado como é importante diversificar mercados", afirmou, referindo-se ao fato de que grande parte das exportações brasileiras se destinam àquele país.
O secretário-executivo da Camex informou ainda que nesta quarta-feira fará a primeira reunião com os 12 gerentes do setor público que integram o Programa Especial de Exportações. "Há muitas lacunas a serem preenchidas no PEE", explicou. Segundo ele, com a mudança de comando na Camex houve uma retração natural no andamento do programa. Após o encontro desta semana, ele disse que pretende se reunir com cada um dos 58 gerentes das cadeias produtivas do setor privado que participam do PEE. Na próxima semana Botafogo fará as primeiras reuniões nesse sentido
encontrando-se com os gerentes das áreas das cadeias produtivas de plásticos, químicos (vinculado a agronegócios) e celulose e papel.


