Brasília, 23 (AE) - O embaixador extraordinário para o Mercosul, José Botafogo Gonçalves, disse hoje que "não há interesse, por parte do Brasil, em ter um Paraguai pobre, com problemas de segurança" mas que nem por isso é possível criar no mercado um fundo financeiro de ajuda a exemplo do que existe na União Européia.
"Quanto custa e quem paga (o fundo)?, disse Botafogo. "Não é falta de vontade política, mas não temos condições objetivas, no momento em que o Brasil não terminou sua arrumação de casa, tem o custo Brasil, está no aperto fiscal e o mesmo acontece com a Argentina."
As reivindicações de ajuda financeira do Brasil - como maior país do Mercosul - vem sendo feitas por diplomatas paraguaios e uruguaios. Segundo Botafogo, é mais fácil ajudar o Paraguai por meio de mecanismos de cooperação financeira com o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e até mesmo financiamentos de bancos brasileiros, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"O BNDES tem possibilidade de financiar brasileiros que queiram investir na capacidade produtiva paraguaia", comentou, acrescentando que isso se aplica também para os outros dois países do Mercosul: Argentina e Uruguai.
Botafogo Gonçalves anunciou ainda que levará, na reunião do Grupo do Mercado Comum, a ser realizada em abril em Buenos Aires (Argentina), o pedido de inclusão dos produtos da Zona Franca de Manaus no Mercosul.
Botafogo esteve hoje no Palácio do Planalto para participar da solenidade de recepção ao presidente do Uruguai, Julio Maria Sanguinetti. Essa é a última visita de Sanguinetti ao Brasil antes de transmitir o cargo ao presidente eleito Jorge Battle.
Sanguinetti conversou com o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o fortalecimento do Mercosul e defendeu a continuidade de concessões recíprocas entre os países que integram o grupo. "Não se pode caminhar em nenhuma associação sem concessões recíprocas", disse o presidente uruguaio.

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