Botafogo defende integração da indústria automobilística no Mercosul
Rio, 10 (AE) - O secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, defendeu hoje maior integração entre as indústrias automotivas brasileira e argentina, visando aumentar a participação do Mercosul no comércio internacional. Segundo ele, essa política industrial mais integrada já está em estudo pelo governo e pode ser ampliada para outros setores da economia. "O carro não seria mais brasileiro ou argentino, teria o selo do Mercosul", destacou o secretário durante um seminário sobre comércio exterior no Rio de Janeiro.
A intenção será fazer do Mercosul uma plataforma de exportação, com a região ganhando maior participação. Segundo Gonçalves, a indústria brasileira tem pouca penetração no comércio internacional e a da Argentina é ainda mais "debilitada". O secretário destacou a importância dos países do Mercosul buscarem novos mercados para seus produtos fora da região. Ele lembrou que a queda no ritmo de crescimento do comércio entre os quatro países do Mercosul já era esperado antes mesmo da recessão mundial. "Era impossível manter o ritmo de expansão dos últimos anos", avaliou.
O secretário revelou que os governos da Argentina e do Brasil já vem estudando incentivos para a criação de plataformas de exportações integradas e que o setor privado tem interesse em constituir empresas bilaterais. Gonçalves acredita que a adoção do novo modelo pode servir de base para as negociação de um acordo automotivo. Atualmente, os dois países estudam o estabelecimento de cotas de importação no comércio bilateral entre 2000 e 2004, fase de transição para a entrada em vigor do regime automotivo do Mercosul. O que passar do patamar fixado pelos dois governos pagaria uma alíquota de 35% como imposto de importação.
O secretário avalia que políticas como esta teriam efeitos positivos para as economias brasileira e argentina. Ele rebateu a crítica feita por economistas e diplomatas argentinos de que a desvalorização cambial no Brasil provocou um desequilíbrio comercial na região e pode ter impacto negativo nas negociações para a adoção de uma moeda única no Mercosul. "A política cambial brasileira estava desequilibrada, o que provocava uma bolha de exportação de produtos argentinos para o Brasil", frisou Gonçalves. Segundo ele, a tendência agora é os países voltarem a trabalhar com taxas de câmbio mais coerentes.





