Bornhausen diz que PFL é indissociável do governo
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de agosto de 1999
Por César Felício 
Brasília, 09 (AE) - O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou hoje que o partido é "indissociável do governo federal". Segundo Bornhausen, o PFL deverá ter candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002, mas depende do êxito do governo para ter qualquer possibilidade de ganhar a eleição. "Não podemos repetir 1989; naquele ano, o PFL afastou-se do presidente José Sarney (PMDB), que estava impopular, e o resultado é que o nosso candidato, Aureliano Chaves, teve menos de 1% dos votos na eleição presidencial", disse Bornhausen.
Para a história não se repetir, o senador prega o engajamento do partido na votação das leis que regulamentam as reformas previdenciária e administrativa, do projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal e da reforma tributária. Ele cobra, contudo, que a área econômica do governo lance medidas de impacto para acelerar a retomada do crescimento e deter a queda de popularidade. "O governo poderia, por exemplo, adotar uma política agressiva de exportação, visando a inserir o micro e pequeno empresário no mercado externo", sugeriu.
Na visão de Bornhausen, o País precisa iniciar uma trajetória de crescimento econômico continuado a partir de 2000 para que qualquer partido aliado tenha alguma chance na sucessão de Fernando Henrique. "A percepção popular das melhoras na economia é lenta; leva pelo menos doze meses; e eu não vejo como a popularidade se recuperar antes de 2001", afirmou.
Em prazo mais curto, o senador prevê dificuldades para o PFL, o PSDB e o PMDB nas eleições municipais de 2000. "Se a eleição fosse hoje, ela correria o risco de federalizar-se, virando um plebiscito sobre o governo federal; até outubro do ano que vêm, a nossa expectativa é que a situação se acalme e os problemas municipais se sobreponham aos nacionais durante a campanha", disse Bornhausen. A prioridade para o partido será tentar ganhar a eleição em São Paulo, com a possível candidatura do ex-ministro da Saúde Adib Jatene, ainda sem filiação partidária. " Nós percebemos que há um espólio eleitoral deixado pelo ex-governador Paulo Maluf (PPB) e o atual prefeito Celso Pitta (sem partido), que está sem dono", disse. As outras prioridades são Porto Alegre, uma vez que a seção gaúcha é a mais fraca do PFL em termos nacionais, e Belo Horizonte, porque o PFL tem expressão apenas no interior mineiro.
De acordo com o senador, caso a turbulência econômica dure até 2002, será mais um motivo para acelerar a votação da reforma política, uma bandeira tanto do PFL como do PMDB. Novamente, ele lembra a eleição presidencial de 1989, ganha pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello pelo pequeno PRN. "Não podemos correr o risco de novamente termos na reta final da eleição dois candidatos que são minoritários no Congresso e trazem a ingovernabilidade", disse, concluindo. "A reforma política é vital para diminuir a quantidade dos partidos e dar mais organicidade às candidaturas que forem apresentadas."
Os principais trechos da entrevista são os seguintes: SUCESSÃO- "O PFL já decidiu em convenção que terá candidato prio na eleição presidencial. Evidentemente, o nosso sucesso depende do sucesso de Fernando Henrique Cardoso como presidente. Por isso, precisamos votar a regulamentação das reformas, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a reforma tributária para, assim, evitarmos novos ajustes de crise. Temos de retomar o crescimento no próximo ano para que a popularidade do governo comece a subir a partir de 2001." ALIANÇAS - "Se a aliança que elegeu Fernando Henrique em 94 e 98 se repetir em 2002, será por mera coincidência. As alianças fazem-se dependendo da conjuntura de cadas momento, e a conjuntura na próxima sucessão poderá ser totalmente diversa da passada." ECONOMIA - "O governo fez bem em recuar na política de aumento de combustíveis, que estava tendo uma péssima repercussão na sociedade. É preciso agora ousar na área de comércio exterior, sobretudo com a desburocratização do crédito e dos procedimentos
para permitir que o pequeno empresário se insira no mercado. A longo prazo, o governo também terá de retomar com mais ênfase o programa de privatização, sobretudo na área de saneamento." ACM - "Ao propor um imposto para combater a pobreza, o senador Antonio Carlos Magalhães (BA) não está se distanciando do governo para construir uma candidatura presidencial. Ele está apenas sendo o que sempre foi: o político brasileiro com maior feeling para criar fatos que o deixem sempre em evidência na mídia. Nunca vi ninguém como ele." MINISTÉRIO- "Há quem diga que, ao assumir a escolha dos ministros como pessoal, o presidente desobrigou os partidos de o apoiarem no Legislativo. Creio que a verdade é o contrário: os ministros ganharam maior responsabilidade de buscarem junto aos partidos o apoio ao governo porque é disso que dependerá a permanência deles na equipe. Isto vale inclusive para os ministros do PFL, que não foram trocados na reforma." ELEIÇÃO MUNICIPAL- "A sucessão de Celso Pitta em São Paulo é prioridade para o PFL. O nosso candidato poderá ser o dr. Adib Jatene porque as pesquisas indicam que o eleitorado quer votar em alguém que tenha a honestidade como marca, e não se constrói uma figura popular numa cidade como São Paulo da noite para o dia. Mas a candidatura dele dependerá de construirmos uma aliança com outros partidos." REFORMA POLÍTICA- "A proibição de coligações e a cláusula de barreira, eliminando os partidos com menos de 5% dos votos, será fundamental para se garantir a governabilidade. Mas isto não significará o fim dos partidos tradicionais que estão abaixo deste limite. Poderemos adotar o regime da federação de partidos
que possibilitará a legendas como o PPS se associarem a outros partidos na mesma situação para poderem sobreviver. O que não pode acontecer é a federação com partido de grande porte porque isto significaria a permanência da coligação."


