Porto Alegre, 05 (AE) - O senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) iniciou hoje, em reunião com líderes do PPB do Rio Grande do Sul
uma negociação que poderá levar à fusão dos dois partidos no País após as eleições municipais do ano que vem. O PFL, porém, não pretende abrir mão da candidatura própria à Presidência da República em 2002 e poderá escolher entre os nomes de Antônio Carlos Magalhães (BA), do vice-presidente Marco Maciel e dos governadores Jaime Lerner (PR) e Roseana Sarney (MA), disse.
A aproximação proposta por Bornhausen leva em conta a reforma política em tramitação no Congresso. A mudança prevê restrições a coligações e aos partidos que não atinjam patamares mínimos de representação nos Legislativos estaduais e federal. Também restabeleceria o quadro anterior a 1985, quando o PFL deixou o então PDS (atual PPB) por discordar da candidatura de Paulo Maluf contra Tancredo Neves no colégio eleitoral "O fortalecimento (dos partidos) se dará por aglutinação", afirmou o senador.
De acordo com ele, a proposta passa, antes, pela coalizão dos dois partidos nas eleições municipais. "A meta agora é eleger o maior número possível de prefeitos e vereadores." O PFL tem hoje 16 mil vereadores e 1.023 prefeitos no País e pode chegar a 19 mil e 1,3 mil, respectivamente, informou.
Bornhausen garantiu que, mesmo com a confirmação das expectativas de crescimento no ano que vem, o PFL não fará "nenhuma exigência" por maior espaço no governo federal. "Queremos eficiência do governo", declarou. O senador afirmou que o partido foi co-participante da eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e tem a "responsabilidade" de garantir sua sustentação. "Não é a impopularidade, que pode ser transitória, que vai nos afastar."
Para o senador, o desempenho da economia aponta para o crescimento de 4% no ano que vem com inflação baixa. Neste cenário, ele acredita na recuperação dos índices de popularidade do presidente. "Nossa preocupação, como parceiros, é que este crescimento se faça com a geração de empregos."
Bornhausen reconheceu que a privatização da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco do Brasil (BB) demorará ainda alguns anos. Mesmo assim, defendeu o início imediato do processo pela venda da Sasse, seguradora controlada pela CEF, e da BBTur, agência de viagens do Banco do Brasil.
Na opinião do senador, daqui em diante a privatização das estatais deve ser "pulverizada" entre pequenos investidores, que utilizariam o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para comprar as ações. Segundo ele, o mecanismo "quebraria resistências" políticas à desestatização e impediria críticas como as que foram feitas por empresários brasileiros contra o financiamento garantido pelo BNDES à companhia norte-americana AES no leilão da Cesp Tietê, realizado semana passada.

mockup