Bornhausen define tendência centro-reformadora no PFL
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
por Ariosto Teixeira 
Brasília, 6 (AE) - O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), definiu como de centro-reformadora a tendência política a que seu partido aderiu ao se alistar, recentemente, na Internacional da Democracia Cristã Popular. A distinção que Bornhausen faz entre essa tendência e os partidos que compunham o movimento liberal clássico, dos tempos do mundo bipolar da guerra fria, é a preocupação social e popular dos programas dos partidos liberais modernos. Os partidos que se filiam à antiga Internacional Liberal, da qual o PFL se desligou no mês passado, são tipicamente partidos de quadros, que se orientam por uma visão fundamentalista da doutrina liberal e não conseguem a adesão das massas aos seus programas.
O presidente do PFL coordenou, sexta-feira, em um dos salões do décimo andar da Câmara dos Deputados, um encontro internacional de dirigentes de partidos de 12 países, inclu indo o Brasil, para discutir os novos modelos partidários da Europa e países ibero-americanos. Na noite anterior, em um jantar oferecido por ele aos participantes do encontro com a presença do vice-presidente da República, Marco Maciel, o deputado do Partido Popular (PP) espanhol José Robles Fraga explicou que a característica dos partidos e dos governos que se proclamam de centro-reformador é a construção de regimes políticos e econômicos estáveis, empenhados em executar orçamentos equilibrados e em produzir o que ele chama de oportunidades sociais através da oferta de emprego.
Secretário de Relações Exteriores do PP e secretário-geral da Fundação Popular Ibero-americana, Robles Fraga se alinha entre os principais dirigentes do partido do primeiro-ministro José Maria Aznar. A vinda de Robles Fraga a Brasília consolidou o programa de inserção do PFL no movimento guiado pela chamada nov a direita espanhola e pelo partido democrata cristão do líder alemão Helmuth Khol. O intercâmbio político e técnico com o PP teve início em 1995, depois de um encontro do vice-presidente Marco Maciel com Aznar, na época já o favorito para assumir a presidência do governo da Espanha.
Demandas sociais - O presidente do Instituto Tancredo Neves, deputado Vilmar Rocha (GO), que organizou o seminário de dirigentes de partidos de 12 países realizado na sexta-feira, na Câmara, disse que o PFL se prepara para assimilar e responder às demandas sociais produzidas pela nova ordem política internacional representada pela globalização dos mercados. O objetivo estratégico, segundo ele, é firmar a legenda como um partido de massas, administrado por quadros profissionalizados inteiramente dedicados à vida partidária, que seja visto pela sociedade como apto a assumir o poder e dirigir o governo. "A ampliação do consumo popular e o acesso amplo à informação através da rede mundial de computadores nos levará à democracia interativa de massas", predisse Rocha na abertura do seminário.
Apesar de sua juventude -o PFL foi fundado há apenas 15 anos -, o deputado afirmou que o PFL deseja const ruir uma identidade política baseada em uma doutrina com respaldo teórico e prático internacional - o liberalismo social - e em um programa de governo centrado na estabilidade econômica e na definição de um papel ativo do Estado em matéria de políticas sociais. Em outros termos, para o PFL a teoria do Estado mínimo não é aplicável a países como o Brasil, que ainda precisam reduzir desigualdades sociais e regionais de grande porte.
Terceira via - O debate teórico sobre os novos modelos partidários partiu, no encontro realizado na sexta-feira, de uma crítica bem-humorada aos sociais-democratas europeus, que têm no modelo da terceira via dos trabalhistas ingleses a principal referência teórica. "A terceira via poderia ganhar o prêmio Nobel de química", observou, na abertura do seminário, o deputado Robles Fraga Secretário de Relações Exteriores do PP da Espanha e secretário-geral da Fundação Popular Ibero-americana. Segundo ele, o debate, que teve seu ponto alto no recente encontro internacional realizado em Florença com a participação de seis chefes chefes de Estado (incluindo o brasileiro Fernando Henrique Cardoso), não passaria de "uma engenhosa operação de marketing político".
A "química" operada pelo líder britânico Tony Blair e o sociólogo Anthony Giddens, conforme Fraga, consiste na "apropri ação indevida das idéias dos partidos conservadores europeus". Isso singnifica, observou, que não existem diferenças práticas entre o que os sociais democratas estão fazendo no governo e aquilo que os liberais, "ou conservadors, se quiserem", ressalvou, defendem e fazem quando chegam ao poder. Por isso mesmo, assinalou o dirigente espanhol, além de populares, os liberais do século 21 precisam estar abertos às novas idéias e interpretações das realidades nacionais e internacionais, para se tornarem efetivamente fatores de coesão nacional. E concluiu: "Lembrem-se de que não foi sobre nós que desabou o muro de Berlim".


