Fabiana Luciana de Carvalho, 27 anos, fez durante três anos, alongamento, choque, ultra-som. Tomou Vioxx. Se entupiu de Celebra. As hérnias de disco não davam trégua. Travavam suas pernas, não a deixavam andar, trabalhar, sair de casa. Foi ao ortopedista. Ao neurocirurgião. Marcou operação na coluna, o convênio não autorizou. Até que esteve no consultório do fisiatra José Eduardo Fukugava. Saiu de lá sem dor. ''Tive a primeira semana sem dor depois de 5 anos'', revelou, aliviada. Milagre?
Não. É ciência a serviço da qualidade de vida. É tecnologia contra dor. Um equipamento detecta a inflamação. As agulhas localizam o ponto que provoca a dor. O laser libera a fibra muscular. A lidocaína ou os cristais de quartzo também podem ajudar. O algômetro quantifica a dor, que diminui a cada aplicação. Os relatos de quem se submeteu ao tratamento de dor miofascial com liberação de pontos gatilhos são animadores. Cefaléia, dores lombares, ciática, L.E.R., joelhos de atleta, cotovelos de tenistas.
Dores que atormentavam vidas. E sumiram. ''Não é natural viver com dor. Não se pode deixar uma dor aguda virar crônica. A dor é um sinal de que há alguma coisa errada'', alerta o Fukugava, que acompanhou durante dois anos o Ambulatório de Dores Crônicas do Departamento de Fisiatria do Hospital das Clínicas em São Paulo. O que ele aprendeu lá? O conceito de dor miofascial e a técnica de desativação dos pontos gatilhos, método desenvolvido há 40 anos nos Estados Unidos pelo Dr. Andrew A. Fisher, chefe do Departamento de Fisiatria do Hospital Monte Sinai de Nova York.
Chamados de ''trigger points'', os pontos gatilhos são pequenos nódulos que se formam nos músculos, como nós, que produzem dor à distância. Eles não são detectáveis pelos exames de imagem disponíveis, seja ultra-som, ressonância ou tomografia. Como eles são descobertos? Com exames clínicos e aparelhos que ajudam na sua localização. ''A inflamação é pontual e pode ocorrer em microfibras musculares. Os pontos gatilhos causam um endurecimento da musculatura, que perde a elasticidade. O processo inflamatório leva a um endurecimento em cadeia do músculo e faz com que a dor atinja áreas distantes da origem da inflamação'', explica Fukugava.
Uma dor de cabeça, por exemplo, pode ser reflexo de pontos inflamados na musculatura do pescoço. A lesão de esforço repetitivo (L.E.R.), que deixa as mãos e os punhos doloridos, pode estar localizada na escápula ou no cotovelo. Joelho em frangalhos? A dor pode estar na musculatura da panturrilha. Hoje
os pontos gatilhos já estão todos mapeados pelos médicos.
A introdução dos métodos de Fisher no Brasil ocorreu a partir de 1994, quando ele veio ao País a convite da diretora da divisão de Medicina Física e Reabilitação do HC, Satiko Tomikawa Imamura. ''Para mim, esse tratamento é excelente, já que a maioria dos pacientes que apresenta dor tem esse problema miofascial. Mas um diagnóstico preciso é fundamental'', avisa Satiko, que também tem consultório. No HC, os pacientes crônicos passam pelo fisiatra e o tratamento da dor é feito não só com as injeções de Fischer, como outros procedimentos, como acupuntura, eletroacupuntura, estimulação elétrica ou onda de choque.

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