Ângela Lacerda
Agência Estado
De Recife
O corpo da professora Josilda Leite Martins Delgado, de 48 anos, foi encontrado ontem, às 3 horas da madrugada, sob os escombros do bloco B do Edifício Enseada de Serrambí, em Olinda, 34 horas após o desabamento, que ocorreu segunda-feira. A queda do prédio matou sete pessoas – três mulheres, dois adolescentes e duas crianças – e feriu outras 10. Com a retirada do corpo da professora, foram encerradas as buscas no local.
‘‘A operação resgate foi encerrada porque não há mais vítimas soterradas’’, garantiu o chefe da Divisão de Operações da Defesa Civil do Estado, major Hélder Carlos da Silva. Os bombeiros passaram a trabalhar na remoção dos escombros e na retirada de amostras do material usado na construção do prédio, que serão analisadas, na busca de identificação das causas do desabamento.
O laudo técnico sobre a queda do Enseada de Serrambí deve ficar pronto em dois meses. Em 15 de janeiro, deverá ser divulgado o resultado da investigação que apura o desabamento do Edifício Ericka, ocorrido há um mês e meio, matando quatro pessoas. Os dois prédios localizavam-se no bairro de Jardim Fragoso, eram do tipo caixão (sem pilotis e sem elevador) e ruíram de repente.
O professor da disciplina Fundações e Mecânica de Solos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), engenheiro Jaime Gusmão, acredita que o uso de material inadequado – desgastado pelo tempo e umidade – pode ter provocado os desabamentos. Das 10 pessoas feridas, cinco continuavam hospitalizadas ontem. Os casos mais graves são de Kaiane Correia, de 10 anos, que teve uma perna amputada, e Camila da Fonseca, 13 anos, com várias fraturas.
O Enseada de Serrambí foi construído há 9 anos e tinha dois blocos. O bloco A, que não foi afetado, foi interditado e nenhum morador quer voltar. Eles estão mobilizados e pretendem recorrer à Justiça caso os órgãos públicos e a construtora Conipa Construções e Corporações Ltda. não assumam a responsabilidade pelo desabamento.

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