Bombeiros e Samu dividem responsabilidade no atendimento de emergências
Órgãos são complementares e seus técnicos dividem os trabalhos em situações de trauma e de casos médicos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de março de 2019
Órgãos são complementares e seus técnicos dividem os trabalhos em situações de trauma e de casos médicos
Pedro Moraes 

Os serviços de atendimento de emergência são essenciais em momentos inesperados. Diante de um acidente de trânsito, um tropeço na calçada ou a necessidade de um atendimento médico a ajuda é indispensável. A dúvida sobre qual serviço - bombeiros ou Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) - deve ser chamado paira na mente de muitas pessoas. Os números telefônicos são parecidos, respectivamente 193 e 192, mas os atendimentos, apesar de muitas vezes serem complementares, têm diferenças. Enquanto o Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) é especializado em resgates, o atendimento médico do Samu cuida de todas as demandas de saúde, assim como tem a responsabilidade encaminhar ao serviço especializado. "Nossas equipes são compostas de militares prontos para prestar os primeiros socorros, mas quando um médico é necessário, entramos em contato com o Samu para que as pessoas sejam prontamente atendidas", detalha o capitão Rodrigo Costa, do 3º Grupamento de Bombeiros em Londrina. "É uma pena que não tenhamos apenas um telefone único para atender às emergências da população, mas procuramos coordenar as ações da melhor forma possível", garante.
Antes que uma equipe seja encaminhada para a rua, as chamadas telefônicas recebidas seja pelos bombeiros como pelos técnicos em regulação médica precisam passar por uma triagem, por meio de partir de uma série de perguntas feitas a quem solicita ajuda. Os especialistas buscam conhecer detalhes das necessidades para evitar que os profissionais saiam desnecessariamente e em alguns casos são inclusive capazes de resolver os problemas a distância. Na central de regulação do Samu, durante todo o tempo, três médicos ficam à disposição da população para orientações e encaminhamento dos casos. Para estes atendimentos estão disponíveis dez ambulâncias e um helicóptero em Londrina. "Os médicos classificam as ligações por gravidade. Recebemos em média 500 ligações por dia e fazemos 300 saídas de ambulância. Já o helicóptero tem duas ou três ocorrências diárias", conta Felipe Pinheiro, diretor de Urgência e Emergência em Saúde de Londrina.

Apesar da seriedade do assunto, o enorme número de trotes e ligações indevidas atrapalha o trabalho dos serviços públicos. Não é difícil que os bombeiros atendam quem queria perguntar sobre encanamento entupido, por exemplo. "Há muita desinformação. Muitas pessoas que sofrem acidentes pequenos de trânsito e querem recorrer ao seguro obrigatório acreditam que precisam do registro do atendimento do Siate, mas não é o caso, um boletim de ocorrência da Polícia é suficiente", explica o capitão Costa. A todo momento, durante todos os dias do ano, sem exceção, dois militares ficam de plantão no comando do 3º Grupamento de Bombeiros para encaminhar as ocorrências como salvamentos e incêndios. Apesar da importância do trabalho, não existe uma especialização para a função e há um rodízio entre os bombeiros que estão prontos para ir às ruas. "Nossa vocação são traumas em emergências. Grande parte das chamadas, aproximadamente 80% delas, são de acidente de trânsito e majoritariamente envolvendo motociclistas", detalha o oficial.
Ambos os serviços centralizados em Londrina são responsáveis por uma ampla região. Os bombeiros, por exemplo, contam com subgrupamentos e postos comunitários que cobrem 61 municípios. Ao todo são 348 homens para a cobertura de toda área. O número preocupa já que para este ano são esperadas 29 aposentadorias compulsórias. "Estas situações nos preocupam porque a formação de novos bombeiros demora até dois anos e não há previsão de novos concursos", pontua Costa. Já o Samu conta com outras dez ambulâncias espalhadas pela região, com equipes que têm a responsabilidade de atender 27 cidades da 17ª Regional de Saúde do Paraná. "Qualquer pessoa pode ligar para o Samu para receber orientações ou pedir atendimento, mesmo que passe mal dentro de casa. Temos inclusive ambulâncias para simplesmente fazer o transporte das pessoas que não têm condição de sair de casa, mesmo sem estado de gravidade", conclui Pinheiro.


