Rio, 27 (AE) - O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro vai atuar com os bancos de leite humano na orientação às mães sobre como coletar e armazenar o produto. A experiência começou há quatro anos em Brasília e está dando certo em Brasília. Os bombeiros farão cursos de treinamento no Instituto Fernandes Filgueiras (IFF), uma das unidades hospitalares da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz).
"Com os resultados positivos da prevenção a incêndios - que resultaram na redução de casos - , o perfil de atuação dos bombeiros mudou e esta pode ser uma nova função", disse o médico Franz Novak, do banco de leite do IFF.
De acordo com Novak, falta leite humano nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) Neo-natais embora cerca de 30% das mulheres têm mais do que o necessário para a amamentação de seus filhos."Muitas vezes as mulheres massageiam o seio para tirar o excedente e o jogam fora por não saber como armazenar o produto.", diz ele."Como a mãe de leite é uma instituição proibida, devido ao perigo de contaminação pelo vírus da aids, muito do produto se perde por falta de orientação e de contato com os bancos de leite."
Armazenamento - Antes de utilizado, o leite humano é pasteurizado e congelado, para evitar o perigo por contaminação por vírus ou a redução de seu valor nutricional. Após a pasteurização a validade do leite humano é seis meses, mas a mãe pode armazená-lo, sem tratamento no congelador por até 15 dias. De acordo com Novak, o banco vai buscar o leite humano em qualquer hora e lugar.
O leite humano é usado nas UTIs pré-natais, pois a musculatura do bebê prematuro não consegue sugar o leite materno. Crianças operadas do intestino também precisam do leite humano, o único produto que ajuda a reconstituir o tecido do local.
Há no Brasil 109 bancos de leite humano, 30 deles em São Paulo, a única cidade onde o número se aproxima do ideal. Novak diz que os bancos trabalham sem uma coordenação e, por isso, não se sabe nem quantos litros são distribuídos por ano. "Só em Brasília há uma organização maior, pois os nove bancos de lá são administrados pelo governo do Distrito Federal", informa. "Lá são distribuídos 18 mil litros por ano, enquanto em todo país calcula-se que a quantidade chegue a 70 mil."
O médico informa que um banco custa muito pouco, é necessário um freezer comum, a máquina de pasteurizar e pagar a conta de luz. "No caso do IFF a conta de luz nunca passou de R$ 40,00 por mês uma produção anual de 1,5 mil litros."

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