Bombeiros do Paraná voltam da Venezuela e são homenageados
Grupo que ajudou no trabalho de resgate às vítimas do terremoto foi condecorado com medalha de honra que reconhece contribuições relevantes da corporação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Grupo que ajudou no trabalho de resgate às vítimas do terremoto foi condecorado com medalha de honra que reconhece contribuições relevantes da corporação
Da Redação 

Os bombeiros militares do Paraná que integraram a missão humanitária brasileira na Venezuela foram homenageados nesta segunda-feira (13) em cerimônia oficial no Palácio Iguaçu. Eles foram condecorados pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior com a Medalha de Honra Presidente Carlos Cavalcanti de Albuquerque. A honraria reconhece contribuições relevantes do Corpo de Bombeiros do Paraná e leva o nome do governador que criou a Corporação no Estado, em 1912.
O governador reconheceu o trabalho dos militares e dos cães de busca Meghan e Ayra, que estiveram na linha de frente das operações de resgate realizadas nas áreas atingidas por dois terremotos em 24 de junho.
“É motivo de muito orgulho ver esses profissionais que, de forma voluntária, levantaram a mão para poder ir até a Venezuela salvar vidas. O Paraná hoje faz parte de uma elite de bombeiros do mundo”, afirmou Ratinho Junior, se referindo ao fato de o Estado integrar a força-tarefa brasileira de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas, a BRA-01, em processo de certificação internacional junto ao INSARAG (Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate Urbano), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). Esse grupo é formado por bombeiros paranaenses, mineiros e paulistas.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, destacou que a homenagem é um reconhecimento à Corporação e aos militares que foram a campo. “Comprova que todo o esforço realizado na preparação desses profissionais vale a pena. É um trabalho que há muitos anos vem sendo realizado por meio da nossa Força-tarefa de Resposta a Desastres (FTRD), com a compra de equipamentos, capacitações anuais, renovação e qualificação do efetivo”, declarou.
DESAFIO GRANDE
Para o comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, que esteve à frente da força-tarefa na Venezuela, o desafio foi grande. “A gente teve durante o evento lá várias réplicas de terremoto [tremores secundários], e eu acho que na minha carreira eu nunca me preocupei tanto de alguém morrer em serviço como agora”, revelou.
“O incêndio é perigoso, a água é perigosa, mas terremoto é uma situação que você não tem muito controle. Ficamos bastante preocupados com a equipe, então é muito bom estarmos todos bem. E sermos brindados com essa homenagem é gratificante”, acrescentou.
A equipe paranaense, mobilizada no dia seguinte à tragédia, envolveu dez bombeiros, dois cães e cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados. Foram os primeiros enviados brasileiros a iniciar os trabalhos de campo na Venezuela, na manhã de 27 de junho.
O cenário encontrado foi de destruição, com prédios de até 15 pavimentos colapsados e a ocorrência de tremores secundários que ameaçavam ocasionar mais danos às estruturas. Durante a missão, os bombeiros atuaram em diferentes localidades da região de Vargas, entre elas La Guaira, Caraballeda, Catia La Mar, Playa Grande, Nagaita e El Tigrillo. As ações incluíram reconhecimento de áreas atingidas, avaliação de estabilidade de estruturas, busca técnica, emprego dos cães de busca, marcação de estruturas e recuperação de vítimas em áreas de colapso.
Ao todo, durante aproximadamente duas semanas, foram realizadas 90 intervenções em campo e 23 vítimas em óbito foram recuperadas.
Um dos bombeiros paranaenses era o cabo Rodrigo Oliveira Santos, condutor da cadela Meghan, que ressaltou o cenário desolador vivenciado. “É uma ocorrência que não existe como reproduzir, você querer treinar para isso. A quantidade de edifícios que caiu, as vítimas, gente presa já sem vida e nós tendo que ignorar aquilo para procurar pessoas com vida”, contou.
Já o soldado Bruno Daniel da Silva Zacharias, condutor da cadela Arya, fez sua primeira grande missão. Também ficou chocado com o que viu. “Foi bem impactante, vou lembrar o resto da vida. Muito triste pela situação do país, a devastação”, contou.
APOIO NACIONAL
A a missão na Venezuela foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores e contou ainda com profissionais de apoio técnico, saúde e telecomunicações.
A Venezuela foi atingida por dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 no dia 24 de junho, em um intervalo de menos de um minuto — fenômeno que os sismólogos chamam de terremoto duplo. Segundo dados do governo venezuelano divulgados na quinta-feira (9), o número de mortos já passou de 4,4 mil, enquanto os feridos chegaram a 16,7 mil. Quase 20 mil pessoas seguem desabrigadas.


