Curitiba - No primeiro semestre de 2012 foram realizados no Brasil 862 transplantes de medula óssea, segundo os dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Somente no Paraná, conforme a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), foram 110 procedimentos até o dia 31 de julho. E, em pouco tempo, João Daniel de Barros, de 6 anos, também conhecido como o ''Bombeirinho de Maringá'', vai fazer parte desta estatística. Depois de dois anos na fila de espera, o menino, fã de videogame e torcedor do Corinthians, finalmente deverá receber a medula de um doador com 90% de compatibilidade. A cirurgia vai ocorrer no dia 5 de outubro, no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), referência em transplantes, em Curitiba.
João e a mãe, Ana Paula Estevam, estão na Capital desde segunda-feira e seguem realizando exames de preparação para o transplante. A confirmação da data da cirurgia depende dos resultados dos exames, que devem ficar prontos hoje. A luta de João contra a doença, entretanto, começou em 2007, quando ele tinha 1 ano e 11 meses, quando recebeu o diagnóstico de leucemia linfoide aguda.
Desde então o menino enfrentou sessões de quimioterapia e passou por cirurgias durante dois, anos mas a doença não regrediu. ''Nesta época os médicos disseram que somente um transplante iria salvar meu filho. A partir daí iniciamos uma busca para achar um doador'', explicou Ana Paula.
Em 2010, quando a criança estava internada no Hospital do Câncer de Maringá, prosseguindo com os tratamentos de quimioterapia, o Corpo de Bombeiros da cidade realizou um dos sonhos do menino: ser um bombeiro. Vestido com a réplica do uniforme da corporação, ele foi ''resgatado'' do quarto do hospital a bordo da escada da viatura dos bombeiros. Com a divulgação do fato, ''João Bombeirinho'' se transformou em símbolo nacional da campanha pela doação de medula óssea.
''Nesse momento vimos a oportunidade de divulgar mais a necessidade e importância da doação de medula óssea. Sou uma leoa, vou defender e fazer de tudo para que meu filho fique saudável, é a prioridade. Mas temos que continuar reforçando que a doeção é um ato de nobreza. Vejo que ainda falta informação, por isso o número de doadores é muito reduzido'', afirmou a mãe de João Daniel.
Em Maringá e outras cidades do Estado a campanha já fez aumentar a quantidade de pessoas no cadastro de doadores. A dificuldade de encontrar um doador é grande e mesmo o menino já teve uma experiência frustrante no ano passado. No mês de agosto havia sido encontrado um possível doador para a criança, mas exames realizados a partir de um cordão umbilical no HC em Curitiba indicaram que a taxa de compatibilidade era de apenas 40%.
''A compatibilidade tem que ser de pelo menos 80%. Por isso é necessário que cada vez mais pessoas se transformem em doadores para que mais pacientes possam ser ajudados como está ocorrendo com o meu filho'', ressaltou.
Expectativa
Ana Paula informou que hoje eles vão se mudar para um apartamento alugado a 550 metros do HC. Ela explica que a tendência é que João fique sob observação após o transplante até janeiro de 2013, antes de poder retornar até Maringá.
''Agradeço ao apoio de todo mundo que soube da história do meu filho e decidiu se tornar doador, além daqueles que sempre torceram por sua recuperação. É uma batalha que estamos conseguindo vencer. Espero que outras pessoas se inspirem com isso'', afirmou.

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