DUBURIYE, Israel, 07 (AE-AP) - Nesta vila árabe israelense, residentes promoviam os funerais dos seus jovens que morreram em um duplo atentado com carro-bomba - e também do tempo em que o envolvimento de árabes israelenses em tais ataques era inimaginável.
A mudança veio rápida, inesperadamente.
Num período de pouco mais de uma semana, árabes israelenses foram vinculados a três ataques terroristas - um duplo assassinato em 29 de agosto e os simultâneos carros-bomba nas cidades nortistas de Haifa e Tiberíades no domingo que mataram três homens, presumivelmente os agressores.
A polícia confirmou hoje que os agressores em Haifa e Tiberíades eram árabes israelenses, assim como cinco outros detidos em conexão com os ataques.
Ataques terroristas vinham sendo uma exclusividade de militantes palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza, áreas que a maioria dos israelenses presume eventualmente sairão do controle israelense e se tornarão um Estado independente.
Por outro lado, muitos judeus israelenses estão muito mais preocupados com uma potencial ameaça à segurança emergindo de seu próprio meio, e nervosas perguntas estão sendo feitas ultimamente nos meios de comunicação.
Políticos e autoridades policiais foram perguntados em programas de rádio se o 1 milhão de árabes de Israel estariam se tornando mais militantes. Estaria o Movimento Islâmico de Israel
até agora visto como um grupo pragmático oferecendo serviços sociais, desenvolvendo laços com os grupos palestinos Hamas e Jihad Islâmica, queriam saber os ouvintes. Estariam os anos de discriminação contra árabes israelenses produzindo frutos?
Preocupados que os ataques poderiam manchar toda uma população
líderes árabes israelenses se apressaram a responder, enfatizando que os ataques eram atos individuais. Em Duburiye, residentes se mostravam chocados.
"Somos religiosos, mas não loucos", disse uma pessoa no funeral de um jovem que foi visto pela última vez saindo de casa poucas horas antes de um dos atentados. "Não esperávamos isso de forma nenhuma."
Mas um comandante da polícia no norte de Israel, Alik Ron, disse que estava preocupado. O envolvimento de árabes israelenses em ataques terroristas era "um assustador, horrososo câncer, uma combinação de influência religiosa e nacionalista," afirmou Ron à Rádio de Israel.
Um comunicado de um tribunal advertiu sobre a emergência de uma "bomba relógio". Líderes oposicionistas falcões sustentaram que o ódio radical de Israel que, segundo eles, caracteriza a entidade palestina infectou os árabes israelenses, e criticaram o primeiro-ministro Ehud Barak por ter assinado um novo acordo de paz sem controlar o incitamento.
"Nada está sendo feito sobre isto, é isto está tendo um efeito sobre os árabes israelenses", afirmou o líder do Partido Likud, Ariel Sharon, na Rádio de Israel.
Barak advertiu contra generalizações, descrevendo os árabes israelenses como "leais cidadãos de Israel" e dizendo que "extremistas, apesar de serem algo sério, serão tratados individualmente".
Ainda assim, toda a polêmica colocou os líderes árabes israelenses na defensiva. Alguns destacaram que atos extremistas cometidos por judeus israelenses - um massacre em 1994 numa mesquita de Hebron de 29 fiéis; o assassinato em 1995 do arquiteto da paz primeiro-ministro Yitzhak Rabin - não provocaram conversas de "infecção" de judeus israelenses.

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