Bombas de morteiro ferem quatro em complexo em Teerã
Bombas de morteiro ferem quatro em complexo em Teerã13/Mar, 17:46 Teerã, 13 (AE-AP) - Várias bombas de morteiro atingiram hoje (13) um complexo residencial perto de uma base militar de elite no norte de Teerã, ferindo quatro pessoas, informou a agência oficial Irna. A autoria do ataque - o segundo ato de violência política na capital em dois dias - foi reivindicada pelo principal grupo armado de oposição, o Mujahedin Khalq, com sede no Iraque. Segundo a Irna, foram disparadas cinco granadas de morteiro contra o complexo Noor, mas testemunhas falaram em até dez. Entre os feridos está um jardineiro da base dos Guardiães da Revolução, que perdeu suas pernas numa das explosões. Uma jovem foi atingida no rosto por estilhaços, e as duas outras vítimas sofreram ferimentos menores. Dezoito carros foram destruídos. O Noor tem 360 apartamentos e entre seus moradores estão cinco deputados, nenhum deles atingido. "Isso começou por volta da 13h30 (7 horas em Brasília) e, num intervalo de dez minutos, foram disparadas de cinco a sete bombas", afirmou o administrador do conjunto residencial, Mohammad Mojarab. Num comunicado enviado à Associated Press no Cairo, o Mujahedin Khalq alegou que o alvo era o general Rahim Safavi, chefe dos guardiães. O grupo garantiu que a base foi atingida "por uma barragem de disparos de morteiro" e vários militares ficaram feridos. Mas testemunhas disseram que as bombas erraram o alvo por cem metros. Um porta-voz da chancelaria iraniana citado pela Irna lançou um apelo para que nenhum país permita que os mujahedines "se refugiem em seu território para propagar livremente suas idéias inumanas e continuar com seus crimes hediondos". Teerã costumeiramente critica Bagdá por abrigar o Mujahedin Khalq e acusa países ocidentais de dar apoio ao grupo. No domingo, o jornalista e político reformista Saeed Hajjarian, assessor do presidente Mohammad Khatami, foi gravemente ferido a tiros no centro de Teerã. Hoje ele permanecia em coma na UTI do Hospital Sina, na capital. Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado. Hajjarian enfureceu os conservadores por seu papel na ampla vitória reformista nas eleições parlamentares do mês passado e por revelações - divulgadas pelo jornal que ele dirige, o Sobh Emruz - sobre o envolvimento de extremistas de direita no assassinato de cinco dissidentes. Segundo amigos, ele vinha recebendo ameaças desde 1998 - quando começou a investigar o assassinato dos dissidentes. Jornais, políticos e clérigos reformistas uniram-se hoje numa série de manifestações de apoio a Hajjarian. "Atentado contra a reforma", assinalou em manchete o jornal Ham-Miham. "Hajjarian vive para sempre, as reformas não serão detidas", comentou o Hamshari. O Conselho Supremo de Segurança Nacional prometeu mobilizar todos os recursos na caçada aos pistoleiros, que fugiram numa moto de 1.000 cc, um tipo reservado exclusivamente à polícia e as serviços de segurança.





