Bombas assustam estudantes em três escolas de Campinas
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 28 (AE) - Alunos e professores de três escolas estaduais em Campinas foram surpreendidos ontem à noite por bombas atiradas para dentro dos prédios. O caso mais grave ocorreu na "Procópio Ferreira", localizada no bairro do Jardim Ypê, onde uma bomba de fabricação caseira destruiu a janela da secretaria e por pouco não atingiu a secretária Ana Maria Evangelista. As outras duas ocorrências foram registradas nas escolas "Padre José dos Santos", no Jardim Campos Elíseos, e Orlando Signoreli, que fica no Distrito Industrial.
A bomba que explodiu na escola Procópio Ferreira foi colocada no parapeito da janela da secretaria. No momento da explosão, 240 alunos estavam no prédio. A secretária Ana Maria Evangelista, que trabalha próxima à janela, só não foi atingida porque momentos antes do estouro levantou-se para mexer numa impressora em outra mesa. A explosão estilhaçou os vidros, amassou um armário de aço e queimou a cortina.
"O bairro é violento, mas isso nunca havia acontecido antes", disse a diretora da escola, Marila Monteiro Matos. A pessoa que colocou a bomba no parapeito da janela teve de pular um muro de dois metros para chegar à secretaria. Um grupo de meninos que jogava bola em frente à escola disse que momentos antes da explosão, dois homens chegaram a pé e ordenaram que eles deixassem o local.
A diretora disse que há dez dias a escola iniciou uma campanha contra a violência. "Estamos desenvolvendo vários projetos para incentivar a paz, cidadania e tolerância entre os alunos", conta. Na semana passada, os estudantes recolheram doações de roupas e alimentos para levar a um asilo. Ela acredita que os responsáveis pelo atentado não estudam na escola. "Foi um ato de extremo vandalismo, que poderia terminar em tragédia", diz.
O caso foi registrado no 5º Distrito Policial, que fica a 500 metros da escola, mas até o final da tarde de hoje a polícia não tinha pistas dos criminosos. Assustados, os pais de alunos iniciaram pela manhã um abaixo-assinado, que será entregue ao comando da Polícia Militar, pedindo mais segurança no local. "Queremos que a polícia destaque um policial para ficar na porta da escola", diz a diretora.
Na escola Padre José dos Santos, uma bomba conhecida como buscapé foi atirada do lado de fora e caiu no pátio da unidade, por volta das 20h40, quando os 300 alunos estavam no recreio. O artefato, comum em festas juninas, atingiu o braço esquerdo do estudante Rafael da Silva Barbosa, de 17 anos. Com queimaduras de primeiro grau, ele foi levado ao hospital municipal "Mario Gatti" e liberado depois de receber os primeiros socorros.
Na escola Orlando Signoreli, uma pessoa não identificada invadiu o prédio e jogou uma bomba numa das salas de aula, onde estavam trinta estudantes. A diretora da unidade, que se identificou apenas como Maria Aparecida, disse que a explosão foi pequena e não provocou nenhum dano material ou nos alunos. "Essas ocorrências são comuns nessa época do ano", disse. Depois de jogar a bomba, a pessoa fugiu sem deixar pistas.


