Rio, 13 (AE) - O Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), no Maracanã, zona norte do Rio, referência nacional de escola técnica no País, vive sob o medo e a insegurança. Motivo: bombas de fabricação caseira estão aterrorizando alunos, professores e funcionários.
Há quase sete meses, a professora Maria de Fátima de Oliveira Pascarelli, de 46 anos, foi vítima delas. Teve a mão direita arrancada. O caso rumoroso, porém, não intimou novas ações criminosas do mesmo tipo.
Há dois meses, uma bomba estourou em um banheiro do colégio. Foi apenas uma brincadeira de mau gosto: não passava de uma bombinha. Mas, 15 dias atrás, o susto foi maior. Um artefato semelhante ao que mutilou a professora foi encontrado em outro banheiro do colégio.
Amedrontada, a direção do Cefet chamou uma equipe do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil, que conseguiu desmontar o explosivo a tempo de evitar uma nova tragédia.
Por ironia, a bomba foi descoberta após o lançamento nacional da campanha "Sou da Paz", organizada pelo movimento estudantil e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que reuniu 500 pessoas no auditório principal da escola. "Quem fez isso só pode ser um psicopata que adora a guerra", desabafa o diretor-geral do Cefet, Marco Antônio Lucidi.
Ele não descarta a hipótese de ser a mesma pessoa que atacou Maria de Fátima. "Vivemos num clima de total apreensão"
lamenta o diretor do grêmio estudantil, Francisco de Assis Figueiredo Júnior, o Chico, de 18 anos, aluno do terceiro ano do curso de Mecânica.
Vigilância - Para diminuir a insegurança, a direção do Cefet instalou oito câmeras de vídeo nos corredores e nos dois principais portões de acesso à escola. Nos últimos anos, o local se transformou em um minisshopping center, onde funcionam um restaurante, uma lanchonete, duas agências bancárias e uma papelaria. Hoje, circulam por ali cerca de 12 mil alunos dos ensinos médio e técnico, e dos cursos profissionalizantes, patrocinados pelo Ministério do Trabalho.
Segundo Lucidi, o circuito de vídeo, que gravará imagens durante 24 horas, custou R$ 15 mil. Metade dos recursos foi doada pelos bancos instalados no local. A segurança também foi reforçada.
Pelo pátio do colégio, há um vaivém de inspetores munidos de walkie-talkie nas mãos. "Eles foram treinados pelo Esquadrão Antibomba e sabem o que devem fazer quando encontram qualquer material suspeito", conta o diretor. Até agora, 50 inspetores foram treinados.
Investigações - A Polícia Federal do Rio ainda não chegou ao responsável pela bomba que mutilou a professora Maria de Fátima, mas suspeita que o autor tenha sido um estudante da própria instituição, talvez um ex-aluno da vítima. Em quase sete meses de investigações, foram ouvidas 23 pessoas pela Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) da PF, entre elas, todos os professores do Departamento de Matemática do Cefet, do qual Maria de Fátima fazia parte. Foi analisado, ainda, um material manuscrito de 490 alunos.
Desse total, chegou-se a 30 suspeitos, mas, como se trata de menores, o caso terá de ser transferido para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Para isso, o delegado Antônio Rayol, que presidiu o inquérito na PF, ainda aguarda a manifestação da 4ª Vara Federal sobre o assunto.

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