São Paulo, 17 (AE) - O mercado de jatos regionais, estimado em US$ 150 bilhões nos próximos dez anos, deve ficar mais acirrado, mas também mais equilibrado com a decisão do àrgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que condenou, no dia 2 deste mês, os programas de "subsídios" que beneficiavam a Embraer e a canadense Bombardier. A avaliação é de um alto executivo da companhia canadense.
Em entrevista à Agência Estado, por telefone de Toronto, o executivo disse que "o reequilíbrio de forças das duas principais fabricantes de jatos regionais de porte médio será inevitável, porém, saudável". A fonte disse ainda que a Bombardier vai respeitar a decisão da OMC e, ao mesmo tempo, ficará vigilante para que a Embraer e o governo brasileiro também cumpram as decisões do relatório definitivo da organização que rege o comércio mundial.
A Embraer informou que vai manter seus preços, embora não diga como, já que, ao final de novembro, perderá todo o suporte de financiamento do Proex aos seus clientes, o chamado "buyers credit". Por sua vez, a Bombardier perderá os cerca de US$ 100 milhões por ano do Technology Partnership Canada (TPC), programa de ajuda à pesquisa e desenvolvimento, considerado subsídio pelo governo brasileiro. Em decorrência disso, acrescentou o executivo canadense, "acredito que todos vamos conseguir competir de forma equilibrada por um mercado que continua crescendo".
Ontem (segunda-feira), por exemplo, a Bombardier fechou um contrato de US$ 430 milhões com a venda de 20 jatos de 50 lugares para a Atlantic Coast Airlines (ACA), dos EUA. A ACA, sócia da United Airlines, terá ainda a opção de compra de outros 27 jatos do mesmo modelo. Com isso, aumentou para 1.089 os pedidos e opções de compra de jatos de 50 e de 70 lugares da Bombardier. Considerando uma média de US$ 16 milhões por jato, esse volume de pedidos em carteira chega a cerca de US$ 17 bilhões, semelhante aos US$ 18 bilhões que a Embraer tem para os próximos cinco anos.
O executivo canadense informou ainda que a Bombardier não prevê nenhum tipo de associação ou parceria com empresas da área
a exemplo do que a Embraer vem estudando. "O desenvolvimento dos nossos aviões tem sido feito via risc shering e, até agora
tem dado bons resultados", disse essa fonte. Esse sistema permite à Bombardier transferir os riscos para os seus "parceiros" que fabricam algumas partes dos jatos regionais produzidos pela companhia canadense.

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