Bombardeios atrapalhados da Otan podem minar apoio
Por William C. Mann
Washington, 23 (AE-AP) - Um número cada vez maior de bombardeios equivocados da Otan contra embaixadas, hospitais e refugiados e combatentes albaneses étnicos está minando o apoio aliado e do Congresso aos ataques aéreos depois de dois meses.
A Alemanha está tão preocupada que a aliança possa "perder nossa base moral" que seu ministro do Exterior está rumando para Washington a fim de conversar com a secretária de Estado Madeleine Albright sobre novos tratamentos diplomáticos para pôr fim ao conflito.
O líder da maioria no Senado, Trent Lott, afirmou hoje que os erros da campanha aérea estão injustamente manchando os militares dos EUA, que ele disse foram enviados para uma missão na Iugoslávia que não pode ser vencida apenas pelo poder aéreo.
Da perspectiva do presidente Bill Clinton, a Otan está mais unida do que quando os bombardeios tiveram início em 24 de março, apesar haver diferenças internas, escreveu ele na edição de hoje do New York Times.
"Enquanto possam haver diferenças em vista de circunstâncias domésticas, laços culturais com os Bálcãs e idéias sobre táticas, não existe questão quanto nossa unidade nos objetivos e nosso desejo de prevalecer", escreveu ele.
Albright, comparecendo ao programa de televisão da CBS "Face de Nation" disse que os ataques aéreos irão eventualmente forçar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a concordar com os termos de paz da Otan.
Ainda assim, os aliados se tornavam claramente impacientes nos últimos dias enquanto incidentes como "danos colaterias" ou ataques equivocados causando vítimas civis se empilhavam este mês:
- Joschka Fischer, ministro do Exterior da Alemanha, sugeriu que a Otan deveria reavaliar sua estratégia de alvos.
- O ministro do Exterior canadense, Lloyd Axworthy, advertiu que novas trapalhadas poderiam bloquear delicadas negociações por uma solução diplomática.
- O primeiro-ministro da Itália, Massimo DAlema, defendeu um cessar-fogo de três dias assim que seja aprovado o esboço de uma resolução da ONU por um acordo de paz em Kosovo.
Até agora, 13 incidentes foram denunciados pela Iugoslávia ou admitidos pela Otan. Sete foram em maio, com três ocorrendo nos últimos três dias. Até 312 pessoas foram mortas, incluindo civis albaneses étnicos e membros do rebelde Exército de Libertação de Kosovo.
"Faremos o que pudermos na Otan... para deixar claro que os alvos que identificamos são alvos militares válidos", disse sábado no Pentágono o major-general da Força Aérea Charles Wald.
Depois de cerca de 2.600 missões, ou vôos, sobre a Iugoslávia, a Otan estima que seu índice de erro é de menos de 1 por cento.
Lott, aparecendo na televisão logo depois de Albright, disse que os bombardeios estão ferindo o prestígio dos EUA.
"Francamente, essas pequenas tolices, atingindo um quartel do ELK, matando civis inocentes, eu penso estão ferindo a imagem dos militares, o que é injusto", disse Lott.
Lott, um republicano, afirmou que o Congresso deveria "apoiar a decisão (de usar apenas ataques aéreos), agora que ela foi tomada, e esperar pelo melhor. Mas eu duvido muito da possibilidade de sucesso apenas com bombardeios".
Lott foi perguntado se o Senado apoiaria o uso de tropas terrestres em combate, possivelmente saídas de uma força de 50.000 soldados de paz que Albright disse que a administração quer concentrar o mais rápido possível perto de Kosovo.
"Se você está falando de eles abrirem caminho lutando, absolutamente não", respondeu Lott. "O presidente tem repetidamente dito ao povo americano que não irá usar tropas terrestres em situação de combate lá".
A revista Newsweek divulgou em sua edição desta semana que Clinton autorizou a CIA a treinar rebeldes albaneses étnicos em sabotagem e a Agência de Segurança Nacional a lançar uma guerra virtual criando confusão nas contas bancárias internacionais de Milosevic.
Em Berlim, o funcionário do Ministério do Exterior Ludger Volmer disse que tropas terrestres "não são um tópico" das discussões que o ministro do Exterior alemão terá com Albright. Suas conversações irão se concentrar nas áreas diplomáticas, onde um grande avanço é possível, afirmou Volmer.
"Os esforços diplomáticos estão chegando a um ponto decisivo", disse Volmer. "A dificuldade é que muitos atores têm de estar em sincronia para darem um passo corajoso". Antecedendo a chegada de Fischer, o embaixador da Alemanha em Washington, Juergen Chrobog, afirmou que a Otan está numa corda bamba.
"Temos de ser muito, muito cuidadosos para não perdermos nossa base moral", disse Chrobog no programa "This Week" da tevê ABC. Isto ainda não aconteceu, "mas temo que possa vir a acontecer", afirmou.
Axworthy, o ministro canadense, disse numa entrevista coletiva na Noruega que ataques equivocados como um que danificou um hospital de Belgrado na terça-feira "são um erro sério". "Eles vieram num momento quando é muito importante acelerar e enfatizar a importante busca por uma resolução do conflito", afirmou ele.





