Pristina, 07 (AE-REUTERS) - O último ataque aéreo da Otan devastou partes da capital da provínica de Kosovo, Pristina, matando pelo menos dez pessoas, segundo informação divulgada hoje por oficias locais.
Os correspondentes iugoslavos e estrangeiros levados à cidade por um acompanhante sérvio pela primeira vez desde que o bombardeio começou no dia 24 de março viram profunda destruição no centro da cidade.
Havia cenas de devastação semelhantes às da destruição da capital chechena, Grozny, pelos bombardeios russos em 1994-95.
O edifício principal de telecomunicações, no centro da cidade, foi atingido nas entranhas por um míssil noturno. Oficiais sérvios disseram que pelo menos dez corpos foram retirados dos escombros.
Segundo o governador sérvio de Kosovo, Zoran Andjelkovic, no distrito vivem albaneses étnicos, sérvios e turcos e não há instalações militares por perto.
Civis e forças de segurança sérvias continuavam a fazer escavações em busca de sobreviventes.
Pristina parecia uma cidade fantasma, já que a maior parte da população continuava em abrigos no caso de outros bombardeios da Otan.
Uma grande coluna de fumaça emanava de um depósito de combustível incendiado pelo ataque. Sérvios entrevistados pelos repórteres pareciam chocados e falavam em "horror" e "sofrimento". Eles disseram que energia elétrica falta durante a noite e algumas vezes durante o dia, mas que havia água corrente.
Moradores falaram de uma cidade infestada de forças de segurança sérvias, incluindo polícia e unidades armadas de todo o tipo, mas não dos paramilitares sérvios temidos por sua brutalidade.
Albaneses étnicos ainda temem por suas vidas nas mãos dos sérvios na cidade, mas disseram que no momento são capazes de se mover pelas ruas da cidade à luz do dia com poucos problemas.
Não ficou claro se isto ocorria apesar ou por causa da maciça presença de forças de segurança em Pristina.
O reino de terror, que por um motivo ou outro, teria imperado na cidade em dias passados parece que agora foi amenizado, pelo menos por enquanto.
Alguns dos destroços no centro da cidade são resultado de bombas da Otan, mas o grosso teria vindo de uma orgia de saques sérvios e vandalismo que destruiu virtualmente todos os negócios de albaneses étnicos na cidade depois que os ataques aéreos começaram em 24 de março.
O sistema telefônico em Kosovo foi tão danificado pelas bombas da Otan que muitos dos que ainda vivem em Pristina dizem que gastam várias horas diariamente tentando, normalmente sem sucesso, por telefone descobrir o paradeiro de familiares e amigos desaparecidos.
"Não consigo qualquer informação sobre meus parentes", disse um residente de Kosovo que tem familiares na parte ocidental de Kosovo, nas proximidades da fronteira com a Albânia.
"Acho que provavelmente significa que eles estão bem. São as más notícias que viajam rápido hoje em dia".
A população de Pristina de cerca de 200.000 habitantes teria aumentando para 250.000 ou mais logo depois dos primeiros ataques da Otan quando os albaneses étnicos - uma maioria antes da guerra de 90% em Kosovo - fugiram do interior para a capital.
Muitas dezenas de milhares desse número fugiram então de Pristina ou foram forçados a sair por forças de segurança sérvias. Alguns foram enfiados em trens que os levou para o sul para a fronteira com a Macedônia ou para oeste para a Albânia.
Outros partiram de carro, trator ou a pé. Aqueles que alcançaram a Albânia foram bem recebidos, mas a Macedônia, preocupada com o aumento de sua própria intraquila minoria albanesa étnica, tem feito o que pode para conter o fluxo.
Moradores de Pristina disseram que na segunda-feira três trens cheios de pessoas da cidade foram mandados de volta antes de alcançarem a fronteira da Macedônia e seus ocupantes retornaram à capital.
Os combustíveis estão sendo racionados na cidade, um sinal de que os ataques da Otan contra refinarias e depósitos em toda a Iugoslávia estão produzindo resultados, relataram moradores.
Mas a escassez não é tão grande a ponto de os combustíveis serem destinados apenas às forças de segurança, um sinal de que a Otan ainda tem algum trabalho pela frente para alcançar seus objetivos militares.

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