Bombardeio da Otan não dá sinal verde para futuras intervenções
Nova York, 28 (AE-AP) - A secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright assegurou nesta segunda-feira (28) que limpezas étnicas não serão toleraradas, mas o bombardeio contra a Iugoslávia não deve ser considerado um precedente para futuras intervenções da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em outras regiões.
"Cada circunstância é distinta", disse Albright perante o Conselho de Relações Exteriores. "A Otan é uma instituição européia e atlântica, não global."
Seus comentários revelam uma mudança sutil no pensamento da Casa Branca sobre a função da Otan após 11 semanas de bombardeios contra a Iugoslávia.
Antes da crise de Kosovo, o governo do presidente Bill Clinton insistira que a Otan devia estender-se além da Europa para seguir cumprindo uma função importante no mundo depois da guerra fria.
Mas a maioria das nações européias se opôs à idéia e em 1995 aceitou relutantemente intervir além das fronteiras da Otan, com ataques aéreos restritos contra as forças sérvias na Bósnia e, em seguida, com uma missão de paz para conter a limpeza étnica.
A guerra da Otan contra a Iugoslávia para proteger os albano-kosovares demostrou que os aliados ainda têm muito a fazer para garantir o futuro da Europa. Por isso, na cúpula de Washington em abril, quando foi recordado o 50º aniversário da aliança, os EUA se abstiveram de pedir que esta estendesse sua função global.
Albright disse hoje que a decisão de aplicar a força será tomada pelo presidente depois de avaliar fatores determinados. "Alguns esperam, e outros temem, que Kosovo seja um precedente para intervenções similares ao redor do mundo", disse. "Eu diria que não convém fazer generalizações tão amplas."





