Bomba quebra e Texaco adia resgate de balsa no Pará4/Mar, 10:47 Por Carlos Mendes Belém, 4 (AE)- Durou apenas 30 minutos o início da operação para fazer flutuar do fundo do Rio Pará, em Barcarena, a balsa Miss Rondônia, que afundou há um mês com 1,8 milhão de litros de óleo. A quebra da bomba que retiraria água dos tanques para fazer a balsa emergir provocou a suspensão do trabalho, que pode ser reiniciado amanhã (5) ou na segunda-feira. Ainda restam cerca de 400 mil litros de óleo nos tanques da Miss Rondônia, que deveriam ter sido bombeados para outra balsa, a Xingu, mas não foram, porque as mangueiras eram curtas para chegarem até o fundo dos contâineres. A Miss Rondônia deve flutuar com todo esse combustível armazenado em seus tanques. O diretor de Segurança e Meio Ambiente da Texaco no Brasil, Domingos Millione, explicou para a Agência Estado que uma fissura na carcaça da bomba fez com que a operação fosse suspensa. O defeito foi observado por volta das 3h da madrugada de hoje."Assim que a bomba for trocada por outra nós reiniciaremos o trabalho. A maré estava baixa, o tempo era bom, mas infelizmente aconteceu esse problema. Desde o ínicio do trabalho de bombeamento do óleo que a cada dia nós vivemos uma emoção diferente", justificou o diretor. O adiamento desagradou os técnicos da Defesa Civil, Secretaria de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ambientalistas da Amazônia, que reclamam de a Texaco ter modificado em cima da hora o planejamento da operação de resgate da balsa sem comunicar ou debater com os órgãos brasileiros a mudança. Segundo o chefe de Fiscalização do Ibama no Pará, Régis Furtado, o plano inicialmente aprovado previa o bombeamento de todo o óleo para a balsa Xingu, o que não ocorreu. A decisão de fazer a balsa flutuar com o restante do óleo nos tanques teria sido tomada pelos técnicos norte-americanos numa reunião fechada. A Sectam, o Ibama e os ecologistas teriam sido comunicados mais tarde, mas acabaram concordando porque toda a estrutura para o resgate já estava montada. A montagem dessa estrutura havia sido aprovada por todos os órgãos envolvidos na operação. A balsa Miss Rondônia não foi construída para transportar combustíveis pelos rios da Amazônia, apenas madeira. A modificação em suas características teria sido patrocinada pela Texaco, mas a alteração nunca foi comunicada à Capitania dos Portos. A empresa Comércio e Navegação da Amazônia (Conama), arrendatária da balsa junto à empresa Jonasa, até hoje não apresentou à Sectam o licenciamento para transporte de combustíveis. O inquérito aberto pela Capitania dos Portos para apurar as causas do naufrágio será concluído no início de maio.

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