Ecstasy, remédio para impotência e antiaids compõem uma nova mistura - chamada de droga recreativa - que passou a frequentar as baladas. A busca é por prazer, mas o grande risco, alertam especialistas, é para o coração. A junção das substâncias aumenta a possibilidade de arritmia, infarto e morte súbita.

Quem faz uso da mistura busca no ecstasy o aumento da libido e da euforia, nos remédios para impotência, como Viagra e Cialis, mais libido e o ''fôlego'' para aguentar as relações sexuais, e nos antirretrovirais, uma forma de evitar infecções por aids - para o que, entretanto, não há comprovação científica, já que são esperadas relações sexuais sem camisinha.

O cardiologista Ricardo Rodrigues, de Londrina, ressalta que os remédios contra impotência são medicamentos seguros, mas a associação os torna inseguros. ''Além disso, não há nenhuma prova de que esse tipo de conduta proteja contra a aids'', afirma.

Ele explica que o o ecstasy causa taquicardia, faz aumentar a pressão arterial, predispõe à arritmia cardíaca, e em alguns casos pode levar a rompimento da aorta ou a sangramento no sistema nervoso central. A junção com o medicamento para impotência, segundo o cardiologista, potencializa seus efeitos, já que estes também predispõem à arritmia. ''O risco é de infarto e morte súbita'', alerta.

Para a psiquiatra Maria Angélica Gambarini, de Londrina, especialista em dependência química, a droga recreativa pode ser ''ilusão de uma liberdade sexual que não é real''. ''É uma combinação ilusória de alto risco'', afirma.

Os especialistas lembram ainda que na balada o álcool é outro fator presente. No organismo, segundo o cardiologista, ele causa vasodilatação, e associado com a chamada 'droga recreativa', aumenta ainda mais a possibilidade de arritmia e infarto. ''É uma agressão contra o próprio corpo'', afirma Rodrigues.

O infectologista Artur Timerman, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, ressalta que além dos efeitos colaterais, muitos ainda nem mensurados pela medicina, o 'trio' representa uma ameaça para o controle da aids. ''O uso indiscriminado é uma ode à irresponsabilidade, pode deixar o organismo resistente ao medicamento'', afirma.

A ideia de recorrer aos antirretrovirais, tanto antes de fazer sexo sem proteção como depois, tem origem em informações incorretas. Isso porque a orientação de uso vale quando a pessoa é vítima de violência sexual, para evitar um possível contágio, ou quando um profissional de saúde sofre um acidente de trabalho e tem contato com sangue do paciente. Mas, mesmo nesses casos não há comprovação de que funcione, segundo Maria Filomena Cernicchiaro, do Centro Estadual de Treinamento em DST/Aids de São Paulo.

Atualmente, todos os cerca de 600 mil portadores do HIV que residem no Brasil são assistidos pelo programa nacional e gratuito que cuida da doença no País. A distribuição é controlada e não há venda em farmácia, por isso sua utilização acende a suspeita de um comércio paralelo. (com Agência Estado)

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